quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

POEMA No 212 - O AMOR É SENTIMENTO ABUSADO...

Amor é sentimento abusado. Arruaceiro. Instigante. Amor é emoção de olhos cravejados dos olhos do outro. E nem precisa ser olhos abertos, que fechados o sonho inventado, ganha outro gosto da boca e dos pés. Em qualquer terreno, se for de terra pura, se for de águas profundas, se for de nuvens pesadas de arrependimento, se for de folhagens trêmulas de ingratidão, o amor sobrevive. Se alguém quiser correr do amor, não vai adiantar. O amor não corre. Irônico, parado, acompanha qualquer fuga dele. E quem não morre de amor é quem nunca teve o peito invadido, em declive de viés, por esta enlouquecida emoção enxuta de santidade.


Autoria: Fernando Coelho
Imagem: Domínio da moda Blog

CANÇÃO No. 85 - AMMORE ANNASCUNNUTO - Celine Dion





SIMPLESMENTE, FANTÁSTICO!!!!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

CANÇÃO No 84 - WOMAN IN LOVE (Mulher Apaixonada) BARBRA STREISAND

POEMA No. 211 - A VIDA QUE SE VÊ DE DENTRO

Sabedoria é
Aprender a espiar a vida pelo lado de dentro
Nos meandros do coração
A vida lá fora é mera ilusão
A vida que é vida está
Lá bem por detrás dos olhos.
E também dos miolos.
Cá fora, ardem quimeras e canto de sereias;
Castelos de cartas soltos na areia
Movediça.
Detrás dos olhos, vão-se os abrolhos;
A vida viça!
Como poetiza o poeta Barros (sempre Manoel)
O papel dos olhos é sentir a vida
“Beleza e glória das coisas o olho é que põe;
é pelo olho que o homem floresce”.
A vida está por detrás dos olhos
Esta, até cego vê.
A vida é uma prece!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

POEMA No. 210 - UNS POETAS, UMAS PEDRAS, UNS PASSARINHOS E A POESIA!

Poesia é coisa de palavras doidivanas e de poetas abestados com os rosicleres e determinadas pedras - que lhes aparecem no caminho - Uma pedra pode ser cria de um poeta se ele cismar com ela... E ela com ele (se cismarem vira um caso). Vira poesia. E das boas, saída das pontinhas dos dedinhos do Carlinhos, minerin danadim de bão. Pedras, paus e cios... Roseirais em luarais, magnólias nos quintais... Tudo vira poesia, até coisas triviais, pois versejar nunca é demais! “Tudo aquilo que a nossa civilização rejeita, pisa e mija em cima, serve para poesia” versejou o outro que era Barros e também era Manoel e que era poesia em forma de poeta. Poesia reverdecida em musgos, e borboletas, e bichinhos com rabos de estrelas piscantes nos olhos dos meninos encantadores de passarinhos e de pedras; encantador de palavras que cismou em se encantar de poeta e virou poesia! Os dois, e mais um montão espalhados por este mundo de pedras e passarinhos e palavras. Tudo, encantamento. E só! Como sempre diz um outro, que também é poeta. E dos bons!E carrega em sua cartola, poesias e Coelho e conversa com pintassilgos. Coisas de poeta.





Autoria: Lavínia Andrill
Imagens: Internet

POEMA 209 - O BARRO AO BARRO RETORNA...

No final de toda perambulagem somos
Raízes. Germinações na carne (e da carne).
Somos pastos. Água, terra e líquens.
- o barro retorna ao barro –
Detritos pútridos, brotamos flores,
Frutos, seivas, raízes.
Alimentos para bichos somos...
Doamo-nos (involuntariamente)
A mãe-natureza.
Repositórios de destroços sucumbidos
Aos pés do Senhor Cronos
Ente implacável e tirano
Dono de todas as portas e de todas as janelas...
(e das suas fechaduras, chaves, trancas e tramelas).
Somos o que fomos nas linhas da vida
(As vezes, soberbos. Outras, tolos).
E terminamos sementes e flores e frutos e caules e raízes,
Pasto farto ao banquete lauto
Dos execráveis comensais
Que tanto nos adoram!
- ao final, o barro sempre viceja no barro –
Inexoravelmente,
Somos barro!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

CANÇÃO No. 82 - POEMA - NEY MATOGROSSO

sábado, 8 de fevereiro de 2014

POEMA No. 208 - FECUNDANCA

E aos meus ouvidos um pipiricar de passarinhos
Borboletas multicores bailam em meus olhos
Um rio de aguas serenas e diáfanas, os teus.
Enquanto você brinca com minhas borboletas
E ouve os meus rouxinóis
Faço-me sol para você. Tu
Germinas em mim
Em flor e fruto.
Rouxinóis, borboletas,
Amalgamamos o amor em nos dois...
Êxtase de uma entrega esperada, desejada.
Fecundanca.
Êxtase.
Paixão.
Amor.
Em nos, imenso assim.



Autoria - Lavinia Andrill
Imagem - Internet

POEMA No. 207 - ENTRADA

Distancias somavam a gente para menos. Nossa morada estava tão perto do abandono que dava até para a gente pegar nele. Eu conversava bobagens profundas com os sapos, com as águas e com as árvores. Meu avô abastecia a solidão. A natureza avançava nas minhas palavras tipo assim: o dia está frondoso em borboletas. No amanhecer o sol põe glórias no meu olho. O cinzento da tarde m empobrece. E o rio encosta as margens na minha voz. Essa fusão com a natureza tirava de mim a liberdade de pensar. Eu queria que as garças me sonhassem. Eu queria que as palavras me gorjeassem. Então comecei a fazer desenhos verbais de imagens. Me dei bem. Perdoem-me os leitores desta entrada mas vou copiar de mim mesmo alguns desenhos verbais que fiz para este livro. Acho-os como os impossíveis verossímeis de nosso mestre Aristóteles. Dou quatro exemplos: 1) É nos loucos que grassam luarais; 2) Eu queria crescer passarinho; 3) Sapo é um pedaço de chão que pula; 4) Poesia é a infância da língua. Sei que os meus desenhos verbais nada significam. Nada. Mas se o nada desaparecer a poesia acaba. Eu sei. Sobre o nada eu tenho profundidades.



AUTORIA - MANOEL DE BARROS
POESIA COMPLETA
IMAGEM - MUNDO DE GAIA


POEMA No. 206 - AGUAS REVOLTAS QUE ESCONDEM MISTERIOS. NA ALMA.

Ainda trago em mim, 
Muito bem guardados de mim mesma,
Alguns mistérios...
(Meus... tão e só!)
Temo tanto em desvendá-los!
Mistérios de muitas vidas
Outrora vidas.
Relembranças sutis que ditam o meu destino.
Esse inconsútil jogo de cartas (des)marcadas.
Abismos que os meus alados pés
Não conseguem transpor.
São meus estes abismos
Desalentos da minha alma!
Vales obscuros fantasmagóricos
Escuto bem dentro do peito
O rio dos meus mistérios
E suas aguas revoltas
E represadas
Gritarem em mim
Prisioneira das minhas tantas vidas.
Mistérios.
Que eu não quero desvendar.



AUTORIA: Lavinia Andrill
Imagem: Internet (Sub)


CANÇÃO No. 81 - VINCENT (Starry Starry Night) - JOSH GROBAN

POEMA Nº 205 - TEIMOSIA DESTES MEUS OLHOS DE RIO SECO

Meus olhos de rio seco 
A debulhar lamentos de peixes ressecos
No seu leito esturricado
Sem crepúsculos, sem auroras
Folhas murchas, flor sem viço
Passarinho perdeu canto e já não voa
Ocasos de uma vida seca - vida morta -
Sem perguntas, sem respostas
Chuva que teima em não mostrar
a cara de pingos molhados indecisos,
Teimosos.
Naco de esperança ainda dança num jeito
Teimosia de viver
Relembranças de um peito
Teimoso que não se entrega
Luta insana. Não desistir é  o mantra.
Andanças, resisto. Meus olhos,
Rio seco já não choram. Apenas espreitam. 
Espreitam e aguardam. 
Espreitam.
Aguardam.
E não cansam...
Numa aguardança sem fim.
Meus olhos, meninos, teimosos
meninos, faróis de mim.


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Blog da Elaine Cristina





POEMA Nº 204 - POEMETO PARA UM MENINO ZEUS

Teus olhos de crepúsculos cinzentos
De poeiras e estrelas
Rio de águas serenas
Onde banham pássaros azuis
Onde cantam cotovias
Sobre o negrume dos meus
Diziam-me tudo
O que meus ouvidos ardentemente sonhavam
Em ouvir. Dos teus
lábios lindos beijos e sorrisos
A derramarem poesias, promessas e devaneios
Sobre os meus sentidos
Anelados, embevecidos, dos teus.
Talismã! Das noites de breu
Minha bússola, meu norte.
Teus olhos cantam melodias
Aos meus
Meu querubim, meu menino zeus!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem Internet




domingo, 2 de fevereiro de 2014

POEMA Nº 203 - ENCANTAMENTO DO DESEJO

 (METAPLÁGIO AO POETA SEBASTIÃO GARCIA)

Desejos
São lampejos
De êxtases
Em mutação.
Devaneios do coração
Sonhos e ilusão
Segredos e sortilégios
Bruxedos e magia
Fogo-fátuo que inflama
Folguedos na imaginação.
Arcanos de alquimia.
Poderoso opiáceo.
Indizível alegria!
Estro desvairado (cio)!
Anjo e demônio!
Desejos, as vezes, são proibidos
E aí, viram prisão.
O que é esta prisão
A que o desejo nos condena
Senão querer fazer
O que o coração manda
A alma almeja
Mas a razão não deixa!
(Como machucam estas algemas
de águas represadas!).
Desejos não satisfeitos é prisão!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Bocas e Beijos

CANÇÃO Nº 80 - DIVANO

POEMA Nº 202 - NOITE, MÃE DE TODOS OS SILÊNCIOS E TODAS AS SOLIDÕES

Oh, noite, mãe de todas as solidões
E de todos os silêncios
Irmã das sombras
Filha do medo, vem, inclemente,
Cubra-me com seu vasto manto
De lua, estrelas e sonhos
(tenho medo da escuridão!).
Oh, vinde a mim, noite implacável, mas,
Não trazes em teu ventre de mãe das trevas
Nefastos presságios, nem a cruel solitude
Que tanto enegrecem a álgida madrugada
E tanto inquieta a mente dos insones!
Sou teu anjo notívago de asas quebradas
Do teu céu , decaído, pássaro noturno.
Vivo de andar pelas tuas calçadas desnudas
Cortantes, silentes de vida,
Inundadas de abandono
De desilusões, desamores e anjos soturnos.
Oh, noite, útero dos amantes lascivos,
 Para a minha glória e eterno êxtase,
Vivo em ti e para ti,
Mãe de todos os vícios!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Anjo 

POEMA Nº 201 - O COITO DO RIO COM O MAR

Como um rio inclemente
Entrega suavemente
suas doces águas
para o salgado mar
que em fúria lasciva as recebe
as engole intrépido e domador
amalgamando em suas águas seminais,
sargaços,
espumas,
peixes
e luxúrias...
Assim sou eu,
chuva fina, calma e felina
em tuas terras áridas e sedentas,
Prenhe de amor!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Casal 96

POEMA Nº 200 - TEU OLHAR DE SONHOS E QUIMERAS

Ah! Este teu olhar de sonhos
Derramados em gotículas de orvalho
Sobre os meus dias...
Ah! Este teu olhar inebriado de promessas
Gravadas em teu sorriso de flores
Acalanta as minhas esperas...
Ah! Este teu olhar que canta
Estrelas e “quem-sabes”
Nos arrebóis das tardes de estio
Onde em vão te espero!
Ah! Este teu olhar de lança
Marcando a ferro em fogo
Tua imagem em minha alma
Absorta em teus encantos!
Ah! Este teu olhar de cristal frágil
De quebrantos e desalinhos,
De mim
Desencantou-se!
Quebrou-se!
Derreteu-se em vãs esperas!
Volvem-me pequenos cacos
Correndo pelo meu sangue
Dilacerando-me o coração alquebrantado
Este teu olhar de sonhos e quimeras!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: internet
Arquivo: Homens 4

CANÇÃO Nº 080 = RELOJ - IL VOLO





IL VOLO! MINHA GRANDE DESCOBERTA EM 2013! Simplesmente maravilhosos!

POEMA Nº 199 - UM ADEUS SEM DESPEDIDAS I

Não houve adeus nem despedidas
tampouco chegadas e partidas.
Pássaro sem ninho sem rota
sempre em fuga e nem nota.
Não houve  um talvez, um até breve
Calaram-se as palavras, cansaram-se.
Nem fala nem escreve.
Sentimentos em desalinho
- tão dúbios os teus!
Passos em extravios, pedras no caminho.
Sequer uma lágrima, um adeus
Sequer um olhar (nos meus)
Sequer dúvidas; infindas, as minhas...
Vinho avinagrado este nosso amor
Cálice quebrado rasgando a pele da alma
Feito fumaça que se esvai
 (este nosso amor de mim não sai)
Num horizonte que não mais se alcança
meu olhar se encurtou
- nascem as deslembranças
(o que restou?)
Nem dança nem contradança
Efemeridades de um amor
Perdido num tempo findo
Que a distância arrebatou
Tão vãs tuas promessas - Espumas...
o mar abocanhou!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Anjo 21

POEMA Nº 198 O MUNDO NO MEU ABRAÇO...

Mundo grande, vasto,
Tão grande, mundo casto
Que não se pode abraçá-lo
Com os braços do corpo
(só com os braços do coração).
Mundo grande,
Mas não cabe o tempo,
Mais vasto que o mundo!
O tempo não se cabe no mundo
No mundo, o tempo não se acaba.
E o mundo, vai se acabar um dia?
Que ironia!
Mundo e tempo!
Este, senhor do ludo!
Aquele, tão ínfimo, perde-se na lide,
Diante deste se apequena em ledo!
Mundo, cavaleiro mutante 
Tempo, cavaleiro errante
Das vãs esperanças,
Dos sonhos indômitos!
Carregas em teu dorso miragens
Da intangibilidade
Da irrazoabilidade!
Fala, Zaratustra,
Em tua imortal sabedoria
Define o imarcescível tempo:
- Para onde vai o (im)perecível mundo
No tempo indiferente a tudo?



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Diversos/Ampulheta 4

POEMA Nº 197 - MINHA VIDA, LUA MINGUANTE

De repente,
Fez a lua em meu torto céu,
Minguante...
A espiar pra dentro de mim
No retrátil tempo do incognoscível


  Levando
                               réstias
                                      de
                         uma
                                                           débil
                                  esperança
                                                       que,


Teimosamente se escondia
Nas vielas da minha alma vadia.
Foi-se a pequena esperança
Que eu acalentava feito criança.
Restaram apenas abrolhos
Tantos assim! 


Em meus olhos,

Prantos          Quebrantos.


Inverneceu...   

Em 
                   mim.



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Anjo 22

POEMA Nº 196 - LIRA INCANSÁVEL SÃO OS MEUS ANOS

Terei sempre uns vinte e poucos anos!
Muito embora cada célula do meu corpo
Rebela-se.
Meu espelho, teimosamente,
Pareça jubilar-se
Em me contrariar,
Peremptoriamente.
A mim não me importam todas as evidências
Que me apontam as pinceladas
Que o insuportável Sr. Cronos
(este ser que não se subverte)
Teima em presentear ao delével corpo!
Nada importa a uma guerreira que se faz
(e se sente)
Eterna,
Já que em meu sangue correm vidas
E os meus olhos só o infinito alcança,
Posto que,
A lira dos meus vinte e poucos anos
Viva sempre,
Incansavelmente,
A tocar,
E eu,
A dançar,
Uma eterna ciranda!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulher dançando

CANÇÃO Nº 079 - METAMORFOSE AMBULANTE - RAUL SEIXAS






POEMA Nº 195 - INQUIETUDE FRENTE AO IMPONDERÁVEL

Ronda-me a vigília
Rouba-me o sono
Insólitas horas
Inóspito abandono
Dor soturna a afoguear-me o espírito
Fantasma notívago
Lúgubre companhia
Noite nefasta e fria
Abraça-me em negro manto
Num silêncio taciturno
Inquietudes de uma dor
Que me avassala o peito
Sonhos insanos
(Resquicíos de um pacto fáustico, talvez?)
Ogros a torturar-me a alma
Desvencilhar-me já não posso
Medo,
Ira,
Frustração,
Desesperança
(Se tudo fora um ledo engano!).
Inquietudes frente ao imponderável
Esperança a esvair-me por entre os dedos.
- E esta droga de tempo que não passa!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Diversos K

POMA Nº 194 - HORAS FLUIDAS, INDOMÁVEIS ERAS!

 Em nada mais creio eu 
(Não há destino; nem nada mais). 
Sou apóstata confessa 
Rendo-me ao inverossímil
(Não há destino!).
So a impermeabilidade das horas
Sôfregas, indomáveis, fluidas,
(Desoras...)
Que se esvaem na eteridade dos dias
Vazios...
E abocanham sonhos
Quebrando encantos
De ossos e células.
Destino trânsfugo.
Quiser’eu prendê-las.
(As horas).
Mas não há destino.
(O acaso é o que impera!)


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: A METAMORFOSE DO SER 
(FLORIAN RAISS)