quinta-feira, 26 de novembro de 2015

POEMA 240 - UM POEMA PARA HELENA

Sou puta
Quando uso a boca vermelha 
Meu salto agulha
E meu vestido preto.
Sou puta
Mordo no final do beijo
Não fico reprimindo desejo
E nem me escondo na aparência de menina.
Sou uma puta de primeira
Acordo às 6:30 
Pego ônibus debaixo de chuva 
Não dependo de salário de macho 
E compro a pílula no final do mês.
Sou uma puta com P maiúsculo 
Dispenso o compromisso 
Opto pela independência
Não morro de amor
Acordo sozinha 
Cresço sozinha 
Vivo na minha 
Bebo em um bar de esquina
Vomito no chão da cozinha.
Sou uma putinha
Passo a noite em seus braços 
Mas não me prendo no laço 
Que você quer me prender.
Sou puta
Você tem o meu corpo 
Porque eu quis te dar 
E quando essa noite acabar 
Eu não vou te pertencer
E se de mim você falar 
Eu não vou me importar 
Porque um homem que não me faz gozar 
Nunca terá meu endereço.
E não é gozo de buceta 
É gozo de alma
É gozo de vida
É me fazer sentir amada 
Valorizada 
E merecida
E se de puta você me chamar 
Eu vou agradecer.
Porque a puta aqui foi criada 
Por uma puta brasileira 
Que ralava pra sustentar os filhos 
E sofria de racismo na feira
Foi espancada e desmerecida 
E mesmo sofrida 
Sorria o dia inteiro 
Uma puta mulher ela foi
E puta também eu quero ser.
Porque ser mulher independente
Resolvida 
Segura
Divertida 
Colorida 
E verdadeira 
Assusta os homens
E os machos 
Faz acontecer um alvoroço.
Onde já se viu mulher com voz?
Tem que ser prendada e educada
E se por acaso for "amada" 
Tem direito de ser morta pelo parceiro 
Cachorra adestrada pelo povo brasileiro 
Sai pelada na revista 
Excita 
Dança 
Bate uma
Cai de boca 
Mama ele e os amigos 
E depois vai ser encontrada num bueiro
Num beco
Estuprada 
Porque tava de batom vermelho
Tava pedindo 
Foi merecido
E se foi crime "passional"
Pobre do rapaz
Apaixonado estragou a própria vida.
Por isso que eu sou puta
Porque sou forte
Sou guerreira
Não sou reprimida
Nem calada 
Sou feminista 
Sou revoltada
Indignada 
E sou rotulada assim
Como PUTA!
Então que eu seja puta
E não menos do que isso.
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Autora do Poema: HELENA FERREIRA

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Imagem: Internet

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

POEMA 239 - AVE CATIVA. LIBERTA!


Sou-lhe, tal qual, ave cativa.
Dos teus quereres, evolada!
Na magia dos teus mares e teus rios
sigo presa a teus anelos.
Tão consensual...
Desejos insanos, apocalípticos...
Não resisto. Apenas sigo
e obedeço aos teus comandos.
Cega, embriagada,
presa dócil
à rosa bandida
dos teus espinhos
que tanto afagam a minh'alma!
Teu nome, correntes, escrito a sangue
na túnica que me cobre,
chamada pele.
Dos volúpicos quereres
que te afloram a cada poro,
Escrava e Senhora, sou.
24/7, Meu Senhor!


Autoria Poema: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

sexta-feira, 17 de julho de 2015

POEMA 238 - VÍCIOS E TARAS

Um ser egoísta sob os lençóis...
Assim eu sou!
Perdida em vícios e taras e fluídos e salivas
amargas e mel.
De pernas e mãos e braços e bocas e línguas e dentes.
Sou toda eu,
Universo de mim mesma
Plenitude... regalos!
O mundo me pertence quando estou em teu corpo
Feito nau em arrebentação.
Louca desvairada
percorro teus portos
e sugo de ti toda a seiva
que me ofertas sem pudores.
Não há limites, nem regras, nem leis, nem religião
nem deuses, nem demônios
quando percorro os teus caminhos
de pura perdição.
Ensandecida, busco em ti
o sentido da vida
na ponta da minha língua,
em cada poro teu.
Em teu corpo, o meu potentado
de unhas e dentes
e tatuagens.
Frêmitos de fomes sem descansos.
Insaciável desejo que não se arrefece
Apenas se esquece em um átimo...
E retoma... incontinente!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

segunda-feira, 13 de julho de 2015

237 - COMPLEXIDADES

Pego-me assim
em cumplicidade comigo mesma
Parindo metáforas 
verbos, predicados e versos
as vezes complexos
as vezes sem nexo
devorando nuvens
e abortando sóis...
Das entranhas prenhas (o mundo),
universos e oceanos. Reminiscências...
Insana, devoro-me - posto que,
 indecifrável sou!
Confluência de astros e terra.
Em mim, todas as complexidades...
Devoro-me!
Regurgito-me... tão sólita! Dual.
Idas e vindas, nem começos, nem fins.
Recomeços...
E o ciclo continua
na remissividade
do que fui . E sou!


Autoria: LavíniaAndrill
Imagem: Internet

sexta-feira, 29 de maio de 2015

POEMA 236 - CALA-TE, ALMA. CALA-TE!

O vento leste sopra em meus ouvidos
as tuas ausências... tantas!
Vento gélido, gélida noite
Devoram-me
os sonhos
os anseios
os desejos...
Faz-se silêncio na alma!
Solitude incalma.
Não há poesias
Não há aconchegos
Não há canção,
Tampouco, carinhos.
Vê-se no ar notas melancólicas
de silêncios e solidões...
Calam-se as palavras.
Só a alma
debate no velho corpo.
Alma solitária, cala-te.
Aceita teu destino
monolítico
E cala-te!



AUTORIA: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

domingo, 3 de maio de 2015

235 - O VERBO ME INSTIGA!

Sou dama mundana,
das palavras sou amante!
Deito-me com o verbo
Prenho-me de abstratos.
Do útero fecundo,
aborto versos. Em sândalos.
Meu tributo ao mundo. Presunção
de uma mulher
que se quer poetisa
e brinca de fazer poemas
e se diz absoluta.
E se pensa única!
Que fazer se tenho alma cronópia
e o canto das palavras
enfeitiça-me e me põe a brincar
com os seus sentidos
inelutavelmente?
Desiderato!
Desvelos de uma alma
que no peito não se acalma.
O verbo me instiga...
Palavras são asas!



Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 234 - O TEMPO É UMA QUIMERA

Os portais do tempo
 sibilam em meus ouvidos
 seus sons enferrujados.
Eras e quimeras debatem-se
 nas entranhas da velha alma.
Os acordes vorazes são sempre os mesmos,
apenas se repetem a cada ciclo que se cria.
Não há o renovo. Mera fantasia...
A velha alma sabe disto.
Queda-se, complacente.
Espreita e espera... Sente
que tudo se repete.
Intermináveis ciclos.
Indubitavelmente,
em eras e quimeras.




Lavínia Andrill
Imagem: Internet


domingo, 26 de abril de 2015

TANGO CLUB - BAJOFONDO





APAIXONADÍSSIMA PELO TANGO - DANÇA E MÚSICA!!!!!!

POEMA 233 - AMO-TE. COMO-TE.

Amo-te e como-te.
Como-te
com os olhos
e ouvidos
e lábios
e língua
e pele.
Como-te
em pensamento
em silêncio
em alvoroço
em tormento.
Como-te
tal cupim em madeira 
por dentro
por fora
por partes
por inteiro.
Amo-te.
Em sofreguidão desembestada 
Revirando céus e terra
Numa paixão desvairada
Amor de paz e guerra.
Amo-te
no agora
no antes
no depois
de tudo o que houve
e o que estar por vir
Amo-te,
enlouquecidamente
mais que tudo...
Por fim,
Amo-te!
E como-te,
como loba esfomeada
em uivos,
desvairada.
Como-te
como ninguém, 
jamais ousou,
comer-te!


Autora: LavíniaAndrill
Imagem: Internet






L'EXCESSIVE - Carla Bruni sub

POEMA 232 -SOU TÃO EXCESSIVA...

Da vida eu quero
o querer desmedido
a paixão desvairada
o desejo incontido
na louca madrugada.
Que não sejam céleres
as indomáveis horas
no assombro do gozo
no arrepio da carne
em êxtase e frenesi
na ânsia louca
da carnuda boca. 
Sou tão excessiva...
O muito para mim
é tão pouco...
Da vida eu quero
Dó ré mi
fá sol lá si!


Autora: LavíniaAndrill
Imagem: Internet


quinta-feira, 16 de abril de 2015

POEMA Nº 231 - TOQUE

Cerro as pálpebras... abrem-se universos...
Pressinto vida em êxtase
adentrando-me as narinas
violando-me os sentidos...
 nas pontas dos meus devassos dedos!
Sôfregos. Ousados. Destemidos.
Incansáveis!
Desbravando mundos, em segredos (tão meus)!
Inconfessos.
Insaciáveis.
Incontidos!
 Uma doce tortura
de alumbramentos e espantos
espasmos e gozos,
sussurros, numa madrugada fria,
de entregas e abandono e êxtase profundo! 
Pensamento alado descortina o mundo...
E se descobre imensa
E se percebe absoluta
E se provoca
E se atiça
E num breve átimo
transmuda-se em deusa!
Doce enlevo,
Amar, a mim mesma!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

quarta-feira, 15 de abril de 2015

POEMA Nº 230 - DESALENTO

Doces palavras recolhidas 
no silêncio dos teus olhos
quando em mim estavas...
Olhos de prismas, desvairados,
parindo palavras não ditas
na orquestra dos teus lábios - lindos e mudos.
Olhos que se transmudavam em cristais
derramados na madrugada
rasgando em frêmitos e desejos e saudades,
o meu corpo - perpassando a minha alma...
Que me trazes mais senão o vazio dos dias infindos
e o fel das noites envoltas em desalento
reverberando lembranças partidas
sobre as calçadas de pedras lúgubres
dos becos sombrios
no labirinto em que se perdeu o meu eu?
Desgarrada da tua, em desespero
a alma - clama por ti.
Perdeste-te de mim, no silêncio destes teus olhos
onde não mais refletem quasares
nas madrugadas das nossas eternas entregas.


Lavínia Andrill
Imagem: Internet

terça-feira, 14 de abril de 2015

POEMA Nº 229 - CÉU DE AÇUCENA

Leva-me, amor, suave e serena
a bailar em teus braços de nuvem
neste céu de açucena
para que o meu amar-te
seja canção aos teus sentidos
nas insones madrugadas
como a brisa de dezembro
despertando arrebóis
nos teus olhos de mar e sal.
Amor, leva-me. De leve.
Suave e serena.


Lavínia Andrill
Imagem: Internet

domingo, 12 de abril de 2015

POEMA Nº 228 - AMOR QUE NÃO SE ESQUECE...

Que fazer deste TEU amor cigano
Voo de pássaro sempre em idas
Errôneo?
Que fazer deste MEU amor insano
Rastro de caminhos sempre em esperas
Forâneo?
Teu amor - água rebelde a escorrer-me nos dedos
Feito silêncios.
Calam a alma súbitos espantos
Jardim sem álamos,
Sabor amargo de lua minguante...
De esperas e quebrantos.
Meu corpo sempre a espera
do teu. Desencantos.
Mandrágoras em minhas mãos,
Viciam-me em ti...
Não vens...
Colares de estrelas e ventos,
Teço... enfeito-me...
Não vens...
O abismo que a tua ausência lançou
Alei meus pés... voei... caí,
 Precipício
De não viver sem ti.
(Ainda penso em ti.)
Que fazer desse amor
prisioneiro em mim?


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA Nº 227 - MINHA PERDIÇÃO

Amálgama de mel e sal
um leve amargor que remete ao vinho
assim são teus sabores
que me escorrem
pela língua e garganta
quando te provo e te solvo.
Mulher de encantos
devassas promessas
magias descobertas.
Deusa olímpica, forasteira,
de imarcescíveis delícias
Em ti me perco e me salvo
louca de quereres e encantamentos
paixão insana e febricitante.
Sou escrava do teu estro
sempre em ebulição
Mulher de bruxedos e sedução
Dona da minha alma
sempre a te buscar
por eras e eras e eras
Em frêmitos de entregas
e perdição.


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

FEMME FATALE





FATALE...assim é a mulher!

sábado, 21 de março de 2015

AMORES QUE ROMPEM EL ALMA

POEMA Nº 226 - "O QUE ME LIBERTA É PRISÃO"

De tudo que anseio
Nadas me pertencem
Insanos quereres
Devaneios de um'alma
Incalma,
Num corpo não se aquieta
Vive de varrer mundos
Coração constrito quer inda mais
Do que lhe é permitido
Debate a alma no presídio do corpo
Libertar-se não pode!
Debalde são meus os céus e as noites
Deleites dos meus lúgubres anseios
Que no peito não se calam
E explodem em desejos
Absurdos
Estritos
Inconfessos
Jamais satisfeitos...
A prisão me consome!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

POEMA Nº 225 - INCONGRUÊNCIAS

Dor!
Dilacera carne peito alma
Irradia célula por célula
Explode em cada poro
(louca!)
Não a controlo
Tão profunda, não machuca
Tanto encanto (me!)
Subjaz!
Num silente vestígio, inunda
Ossos células alma
Paradoxo apraz
Gozo explode
Lágrimas risos
Dor contumaz
Satisfaz!


Autoria: LavíniaAndrill
Imagem: Internet