terça-feira, 31 de dezembro de 2013

POEMA Nº 162 - AFRODISIA

As lembranças, como névoas,
de uma madrugada fria
Ainda dançam qual ninfa louca
Na minha cabeça vazia.
O véu diáfano da aurora
Cobriu aquele dia
Em que fostes meu, fui tua,
Na mais completa afrodisia.
Hoje, uma cortina de fumaça
A vã esperança, cobria,
Um grão destruído,
que renasça (?),
Na fluida melodia
A tua presença desfaça (!).
O que resta?
Melancolia!


Autoria:Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA Nº 161 - QUERO DO AMOR TODAS AS LOUCURAS

Louca!
Vivo de catar réstias de luar no manto das estrelas
Num apoderamento do universo
(em absurdos!)
Abocanhando mundos...
Nos olhos (meus) o brilho dos quasares!
Na alma (incalma), o doce de alfenins!
Na boca (louca) a lasciva língua!
No corpo, a inquietude dos amantes
(insaciáveis)!
Na palma da mão as linhas do infinito
(E o dócil fruto da anáfena)!
Louca? Sou-o!
Dá-me, Deus, a santa insanidade, pois, 
Quero o amor mais louco!
Quero do amor todas as loucuras!
Todas as promessas, todas as delícias,
(Sem censuras)!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Angel, olhar feminino 4

CANÇÃO Nº 077 - MENINA VENENO -



Sem este "veneno" o amar é sem graça...

Poema nº 160 - REMEXENDO SOLUÇOS E RECORDAÇÕES


Saudade formigando tudo...
Remexendo vísceras e coração...
Deslizando goela adentro
Feito tamarindo azedo travando dentes.
Intragável fumaça de paiva de fumo de rolo
Pulmão sem ventos.
Espinho de laranjeira espetando dedo.
Saudade dilacerando tudo...
Remexendo soluços e recordações...
Embaçando olhos (órbita em) metacentro
Pimenta ardida, retina.
Saudade assim mata a gente...
Cupim corroendo por dentro;
É sal que desce dos olhos e arde face e seca boca.
Revoar de borboletas ocres num rastro de azinhavre
Gemidos de ventos aos meus ouvidos
Gelo na alma (incalma).
Saudade... Loba em uivo desvairado.



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet



POEMA Nº 159 - EU TE AMO, SIMPLESMENTE, PORQUE TE AMO!

Eu te amo em todas as línguas
Faladas,escritas,sussurradas...
Inclusive na minha:
      Em carne,nervos,sangue!     
Eu te amo em luminuras de pele
Onde gravo e regravo
A cartografia dos nossos quereres
Eu te amo nos dias e nas noites
Eu te amo nos meses e nos anos
Eu te amo nas horas e nas eras
Em que juntas as almas
Se (nos)amalgamaram em una
Eu te amo na imensidão do átomo
Em que é feito a nossa carne rara
Eu te amo, tal qual
Quasimodo, a sua Esmeralda
Eu te amo, como
Tristão arrebatou-se por Isolda
Eu te amo como se amaram (amam)
Os grandes amores da história
Eu te amo como se ama a vida...
Eu te amo
simplesmente porque
não sei fazer outra coisa!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet


CANÇÃO Nº 76 - CORAÇÃO PARTIDO



"Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, ...Tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Fernando Pessoa.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

POEMA Nº 158 - CRIEI VOCÊ PARA DELEITE DA MINHA ALMA...

Já nem sei eu se exististes tu
(Era só meu este amar-te?)
Ou se fostes forjado
No átomo dos meus sonhos
Para deleite da minha alma libertina
E da fome lânguida
Dos meus olhos imprecisos
Luxuriosos, lascivos, ávidos,
A buscar-te eternamente
Entre fomes sem descansos,
Numa promessa verossímil!
(Quiser'eu encontrar-te!)
Encontrei?
Onde tu de mim te escondestes?


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulher 149



CANÇÃO Nº 075 - AMOR PERFEITO

POEMA Nº 157 - CANÇÃO DO DESASSOMBRO

Leva-me, amor, suave e serena
Numa ciranda de nuvens
A bailar em teus braços de açucena
Neste céu de dezembro
Para que o meu amar-te
Seja canção de desassombro
Aos teus ouvidos. Destarte,
Que tenho eu de ti
Amor que não se cabe
Em mim!
Leva-me, amor, tranquila e sedenta
A sonhar nas insones madrugadas
Em mares sem tormentas
Nestes teus olhos de lírios! Amolgadas
Todas as destemperanças. Trocentas
Vezes em teus braços, Eu, mitigada!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Casal 078

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

POEMA Nº 156 - TEMORES ABSCÔNDITOS DE UMA ALMA. INCALMA!

No fundo de mim esconde-se,
atônita, a alma.
Incalma!
Mil anos
e não sabe mostrar-se ao mundo...
O medo eviscera-lhe o sopro
E grita no seu recôndito
Os temores de si mesma!
Irresoluta, não se mostra...
Esconde-se nas dobras do tempo
Fugindo dos nadas a que se entregou!
- Quando me hei de libertar-me,
Corpo impreciso e insólito?


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo> Anjo 26

CANÇÃO Nº 074 - PAROLES PAROLES



Interpretação belíssima do Alan Delon e Dalida!

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

POEMA Nº 155 - DEVORO-TE

Oceanos derramados em teus olhos
Gritam-me na alma!
Em êxtase, quedo-me diante da tua geografia
Desvendo os mistérios dos teus relevos.
Sou loba caçadora.
Nada escapa a esta canina
De alma densa e quereres inconfessos...
Espreito-te...
Devasso tuas nuances nas estradas do teu corpo
Em cada poro, sorvo-te, incansavelmente.
Devore-te.
Regurgito-te.
Para devorar-te, outra e mais outra e outra,
Vez...
E, nesta louca e desmedida ânsia
Provoco-te...
Venero cada reação do teu corpo dominado por mim.
Rende-te
Aos meus insanos caprichos. 
Escravizo-te...
Em minhas mãos, meu brinquedo, meu deleite.
Lauta refeição para uma loba faminta e louca.
Devoro-te...


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet 
Arquivo: Casal 81

POEMA Nº 154 - OS SILÊNCIOS NÃO CALAM MINHA ALMA!

Não! Não trago silêncios em mim!
Minha alma grita, sangra, implora!
O rugido dilacera-me a garganta
Não sou mulher de silêncios.
Não me calo. 
Minhas vísceras tremem em frêmitos.
A intensidade me subverte.
Aborto todos os gritos.
Seus ecos são música aos meus ouvidos!
Sou loba irascível, não contenho meus uivos.
Abrasivos.
Incalmos.
Insanos!
Apenas me calo diante do incognoscível
que é este meu ser impreciso, insólito e intenso!


Autoria: Lavinia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasia 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

POEMA Nº 153 - A FÊMEA E A LOBA

O cálice que te ofereço
tem a brandura da sépala
por onde vertem melíflua seiva
e o ardor de um rio de magmas,
com pitadas de massala.
Se gostas de desbravar
este meu universo
de secretas delícias,
que assim sempre seja,
incansável em buscas e conquistas.
Banhe-se em minhas malícias
de fêmea benfaseja,
eternamente em cio...
Para o teu deleite, 
a minha insaciabilidade!
Posto que,
por mais longa a cavalgada,
a insaciável alvorada
é sempre um porvir.
Trago em mim
o que há de vir,
a essência da loba faminta
e a indecência das ninfas amantes
de uma Grécia já extinta!
Sou loba.
Farejo ventos.
Sinta!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulheres 144

POEMA Nº 152 - SAGITÁRIO

Brilhou sobre os meus ombros encurvados
Iluminando os meus passos cansados
De longos caminhos percorridos
O meu Sol em Sagitário!
Dezembro - Terra e Fogo!
Aponto para o alto meu arco
E solto as minhas flechas
Levando aos astros do infinito
Mais um ano desta minha existência
Terrena!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasia 22


sábado, 14 de dezembro de 2013

CANÇÃO Nº 73 - AMADA AMANTE!

TEXTO Nº - 006 - AMOR ETERNO

Hoje, 14 de dezembro, é uma data especialíssima para mim! É aniversário do meu companheiro de longa data, meu melhor amigo, meu irmão, meu pai, meu porto seguro, meu psicólogo, meu maior incentivador, meu fã e meu ídolo, meu tudo, meu homem, meu amante, meu marido, meu eterno e grande amor! São quase quatro décadas que caminhamos, sempre, lado a lado, vivendo o que a vida nos dá, e tirando da vida o que há de melhor! Sonhamos juntos, lutamos juntos e vencemos juntos! Sofremos juntos e vibramos juntos! E a chama em nosso olhar não se apagou com o tempo; brilha sempre mais. Não consigo ver a vida sem você ao meu lado! Somos extensão um do outro... não conseguimos nos separar por muito tempo, pois o ar que respiramos, é único! Amo dormir e acordar ao teu lado... E, pela manhã quando nos separamos para cuidarmos das nossas vidas, falamo-nos durante o dia como dois namorados, vibrando ao ouvir a voz do outro ao telefone... Alegra-me a tua volta a nossa casa, quando finda o dia... E, quando chegas, todos os dias de todos os meses e de todos os anos, ouço o abrir da porta e a tua voz macia e amorosa chamar: Vínia! 
Feliz aniversário, meu amor! Feliz aniversário!


Minha homenagem a você, meu amor!


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

POEMA Nº 151 - ANLAGEM

Somos
Uma anlagem inevitável
Por que não queremos, não podemos
Ir de encontro às forças da natureza!
O que se tornará, já é,
E a muito está escrito
Nas dobras do nosso destino!
O sentimento que de nós se apoderou,
Sincronisticamente,
Sem que possamos explicar
Está além do nosso entendimento
Além da nossa razão.
Arrebata-nos um ao outro
Nos mantém envolvidos
Numa simbiose perfeita
Num doce enlevo
De amor e paixão
Carinho e sedução
Sonhos de luxúria
Entregas e ofertas
Numa miscibilidade
De corpo e alma
Por que,
O que se tornará,
Já é.


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Casal 30

POEMA Nº 150 - INSACIEDADE

Descem meus olhos incertos
ao longo do caminho
e num horizonte procuram
a sombra do teu sorriso
que ficou perdido no amargor de
um adeus...
Lembranças de um carinho
que tive por breves momentos
envolta nos braços teus
num fim de tarde, quase noite...
Dei-me a ti por inteira
perdida me vi no doce açoite
que foram teus beijos
pelo meu corpo...
Louca, fui ao paraíso, em solfejos
de luxúria e prazer
desvairada, faminta, sem juízo
chorando de felicidade...
Mas, tudo foi tão pouco
que deixou em mim
numa querência imensa
a semente da insaciedade.


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Casal 90

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

POEMA Nº 149 - POEMA PARA NOVEMBRO

Que me chegue mais um novembro
me brinde com sol e mar
e banhe de lua
esse meu estilo impreciso
esse meu gosto incoerente
pelo moderno e antigo
Paulista e Estação da Luz
esse desejo ardente
por almas, corpos e cicatrizes.

Que me chegue esse novembro
sem mais empalidecer meus dias
banhe em doce perfume
esse meu querer preciso
esse meu desejo indecente
por você e por um outro
com mesma ostentada opulência
e consuma-me em nuvens
sem rumos ou diretrizes

Acolho-te meu novembro
pois minha alma errante
não sabe andar na linha
meu coração diamante
cansou-se de não caber num quarto
tanto traçado preciso
em tantos passos incertos
obediência e rebeldia
vivem em meus matizes

Venha meu novembro
banhar em verso
essa mulher estranha
movediça, escorregadia
voz que não grita
e já não canta
decomponha minhas defesas
e faça-me forte
desde as raízes.


Autoria: Noádia Mendonça
Imagem: Internet
Arquivo: Mulheres 70



sábado, 30 de novembro de 2013

CANÇÃO Nº 070- I WANNA TAKE FOREVER TONIGHT

POEMA Nº 148 - REDESCOBRINDO SENTIDOS

Paixão
Incontrolável, soberba, perigosa...
proibida paixão!
De repente, a mulher volta a se sentir menina
A mulher alumbra-se,
poe-se a viver as inquietudes da alma adolescente
a espera de alvíssaras e magias...
Desejos incontidos... redescobre-se amante
esplendorosa, sente-se volúpia
aos olhos de um homem...
Tudo parece como um início...
As emoções... os desejos... os temores de um amor escondido
reaprendendo a sentir o gosto arrebatador de uma paixão
Mulher madura, ainda uma menina em seu interior.
Cortejada, sente-se deusa absoluta
objeto de desejo de um homem!
Um homem que não mede palavras
para externar a sua paixão, o seu desejo.
Um homem que não esconde seu poder sedutor
e sabe que este poder atrai e prende esta mulher em sua teia
E a mulher adormecida desperta, volta a ser fêmea.
E no jogo de sedução se entrega por inteira,
sem reticências, nem dúvidas.
Absoluta. Plena. Gloriosa!
Berceuses a derramar-lhe aos ouvidos!
Puro encantamento catártico!
Eu quero esta mulher desperta!
 Eu quero esta mulher aberta às sensações que a paixão oferece.
Eu quero esta mulher solvendo cada gota desta loucura deliciosa!
Mesmo que à distância, mesmo que em pensamento,
Mesmo que na solidão dos corpos separados...
Eu quero esta mulher acima de tudo, absoluta.
Preciso manter esta mulher VIVA
para que eu não volte
a ter morte em vida.



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulheres 212

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

POEMA Nº 147 - PAIXÃO DESVAIRADA QUE DOMINA A GENTE...

O que dizer desta paixão desmedida
Que grita em meu peito
E só tem guarida
Se for no teu corpo?
O que dizer desta paixão desvairada
Que, sem saber como,
No meu peito fez morada
E de mim, prisioneira? Tua!
O que fazer com esta paixão ardente
Que maltrata meu peito
Mas me enleva a alma
Trazendo-me poesia nua
Em versos de desejos
E sonhos insanos
Que não poderei viver.
Por que não posso ser
 Tua, meu louco amor?
Por que esta paixão 
Que explode no peito e escorre pelos poros
E me faz nefelibata a vagar entre as estrelas
Se não posso ter você?


Autoria:Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulher 55

CANÇÃO Nº 069 - DOLCE PASSIONE

POEMA Nº 146 - CORAÇÃO DOENDO NO PEITO...

Coração tá doendo aqui dentro de mim
Numa saudade que não cabe no meu peito,
Num machucar sem fim
Um lamento que não tem jeito
De dor sem par. Dilacera assim.
Por causa deste amor
Perdido na distância
Soluços e pranto de dor
Tomados pela ânsia
Desta tua ausência sufocante.
Dúvidas que aumentam
Com o teu silêncio mordaz
Trazendo tristeza à minha alma
Que retrai e se cala
Pelo medo de não o ter mais.
Ausência, distância, saudade, solidão,
São perigos a que se expõe
Um amor distante
É como veneno matando, pouco a pouco,
O coração inseguro e tristonho
Que se entregou à quimera de um sonho
De uma grande paixão delirante.


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasia 88

domingo, 24 de novembro de 2013

TEXTO Nº 005 - VIVENDO NA INÉRCIA DE UMA VIDA SEM SENTIDO...

Acordo. Abro os olhos... Espreito os vãos do meu quarto. Descubro-me viva. Mais uma vez. Preguiça de sair da cama. Levanto-me. Miro o outro lado. Corro e me atiro nele. Aos pés da cama. Corpo pesado não quer se mover. Travesseiro me chama. Abraço-o. Devaneio...  Começo a sonhar (de novo). Não quero (não posso) não devo continuar nesta impotência que me idiotiza e me leva à beira do despenhadeiro. Meu ser enche-se de brumas numa anátema impossível de se evitar. Vivo à margem do compreensível. Como um abanto, falta-me forças para reagir aos débeis comandos da minha mente que, em desespero, tenta tirar-me deste estado ablastêmico! Esforço-me e abro os olhos languescidos. Tento vencer a inércia que de mim se apodera. Letargia. Mais uma vez, viro-me. Reviro-me. Tamanha indolência. Tento raciocinar: que dia é hoje? 25. De que? Hã? De setembro. Que horas? Dez e meia (perdi-me no tempo). Preciso me levantar... Quanto esforço! Acorde! Levante! É uma ordem. Cabeça não obedece, se enfurece, olha o travesseiro que chama... Levantar para que? Nada a fazer! Mais um dia igual a todos os outros. Simplesmente, vegeto. Merda de vida! Olho o teto do meu quarto... quedo-me, a espera do passar das horas...


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasias 111

POEMA Nº 145 - PARINDO VERBOS, SUBSTANTIVOS, SINGULAR E PLURAL...

Palavras, em profusão,
Versejam
Na mente...
Escorrem pelas pontas dos meus dedos.
No teclado nervoso
Dão vida
A verbos,
Substantivos,
Singular,
Plurais,
Em versos descabidos,
Incontidos,
De fomes
E ausências
Em desassossego.
Com raiva e amor,
Ódios e perdões
Deslizam pelos olhos
E deságuam
Na branca e fria cor
De um papel qualquer,
Capturado pela tela
(De uma merda)
De um computa(dor)!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA Nº 144 - CÉU OU INFERNO?

O silêncio me impera...
Obriga-me ao esconderijo.
Recolho os pedaços que consigo
Do que restou. De mim...
Cansada, entrego-me.
Esqueço-me.
Em desadorno perderam-se meus dias.
Se para viver, é preciso,
Cem vezes mil vezes, morrer,
Que fazer?
Apressa-te, que a conta poderá ser
O reverso.
Por que há dentro de mim
Um anjo que ruge
E um demônio que chora.
Paradoxo da alma,
Incalma.
Para onde ir?
Paraíso do demônio
Ou inferno de Deus?
Volatilidade da matéria
Ou Alma imortal?
Apenas abidicatriz dos meus mais recônditos desejos...
Céu ou inferno, qual o meu destino?


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasias (duas anjas)

TEXTO Nº 004 - SOLIDÃO A DOIS...


Pior que o amargor de ser só, é a solidão a dois...

Solidão que me estrangula e me sufoca sem que nada possa fazer. As amarras que me prendem me impedem de não mais ser só. Esta solidão é pior que veneno, pois não atinge apenas meu corpo, que adoecido segue adiante me roubando o viço, mas também a alma, subtraindo-me a lucidez. Como o amo, então maior é o suplício, fazendo-me prisioneira dele e de mim mesma. Sinto o tempo passar, mas não o vivo na intensidade que quero, que preciso. A percepção é de que a vida está escorrendo por entre meus dedos, levando o meu mais precioso bem: o que ainda me resta de viço, pois já levou a minha juventude, de uma forma cruel que é a sensação de não ter vivido, nem estar vivendo. Apenas indo... indo... Pra onde... não sei, pois a solidão embaça meus sentidos, transformando-me em zumbi. Apenas. Passam-se as horas... passam-se os dias, olho em minha volta e sempre estou só... e isto dói. Dói muito. Fecho os olhos e vejo-me num tempo e num espaço de sonhos... Se ouço minhas canções preferidas me transporto para uma outra realidade onde sou feliz e vivo intensamente pois assim eu desejaria que fosse... a melodia me embala os sentidos e as palavras são um bálsamo derramado sobre minha alma que dança feito criança e sonha, e vibra, e ama com a paixão dos amantes utópicos. Meu Deus, tão pouco que eu sonhei, tão pouco eu desejara e por que me foi negado? Por que a tristeza teima em tomar o lugar da minha alegria e me traz este sofrer que me aperta e dói o meu coração sonhador e romântico? Aonde foram meus sonhos juvenis? O que fiz da vida que me deram? E a solidão, senhora das horas e dos dias... por que não me abandona? Em que tempo perdera-se o meu viço? Nem me dei conta do tempo que me escorrera por entre os dedos... Vida sem graça, por que não passa? Chega! Para mim, basta!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasia 117

TEXTO Nº 003 - LOBA OU OVELHA

Em minha dualidade feminina existem a Ovelha e a Loba. Não convivem pacificamente. Não! Vivem em eternos e intermináveis conflitos. Alimento, demasiadamente a Ovelha e, apesar de inferior às forças da Loba, a Ovelha bem alimentada pelos limites que imponho a ela e pelos meus medos, domina-me. Ao dominar-me, quedo-me entregue as minhas frustrações, a minha covardia e, por décadas levo e levarei, conforme for permitida minha existência por aqui, a sensação da vida vivida pela metade. E assim, quedo-me alimentando a Ovelha que sai vencedora.Sempre!A Loba amordaçada, cansada e vencida, por fim, entrega-se, anulando a minha dualidade de espírito e carne. Mas... vez em quando, a Loba desperta,  reage e quer mostrar a sua supremacia. A Loba quer carne! Afinal, quem é mais forte, a Ovelha ou a Loba? Aquela a quem EU mais alimentar! Mas, a quem eu devo alimentar mais? Quem me fará mais feliz, mais completa em minha plenitude! Do que mais preciso: a ilusão do enlevo espiritual ou a simples satisfação carnal? Que alegria ao ver desperta, forte e dominadora, a minha Loba! A Loba desperta é plenitude! E não quer mais subjugar-se! Quer continua altiva! Sedutoramente altiva e ativa! E eu, eu a alimentarei e nunca mais a deixarei ser subjugada! Nunca mais! Por que a Loba me faz feliz! Completa e absoluta! Mas, contrariamente a minha vontade, a Ovelha ressurge, e eu nada posso contra ela, e morta em vida, sigo com esta dualidade cruel a entorpecer-me os sentidos e a consumir-me a lucidez! A Loba vive em minhas vísceras, em meus poros, em minhas entranhas, em meus devaneios, em minha insensatez...em cada fibra do meu coração! A Ovelha se alimenta da minha covardia... dos meus medos... das minhas renúncias! É ela que sempre vence!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasias 122 (Mulheres que Correm com Lobos)

CANÇÃO Nº 68 - DANÇA DA SOLIDÃO - MARISA MONTE



BELÍSSIMA CANÇÃO NA VOZ DA MARISA MONTE.

QUEM GOSTA DA SOLIDÃO? NINGUÉM! MESMO QUE, EM MOMENTOS, QUEIRAMOS FICAR A SÓS... MAS, A SOLIDÃO INVOLUNTÁRIA É PUNHAL NO PEITO CRAVADO...

POEMA Nº 143 - ALMA, PRISIONEIRA DA SOLIDÃO!

De tanto ficar só, de tanto ser só,
Ando achando a tristeza algo natural.
Lá fora o sol brilha com uma intensidade sem par.
Mas aqui dentro é só negrume,
A tristeza se apoderou dos meus sentidos...
Meus olhos são tristes já perderam o lume,
Mesmo com as lágrimas que teimam em brotar.
Ainda existem lágrimas em meus olhos...
Lágrimas que ardem... que queimam...
Minha boca murcha e seca engole vazios
Que atingem a minha alma
Cavando profundos abismos difíceis de transpor.
Meus braços já não coordenam as minhas mãos
Que insistem em quedar-se, inertes.
E impotente sigo nesta insensatez,
Entregue a lassidão que de mim se apoderou
Só por que sou só...
E este aperto no peito,
Esta saudade de algo que não vivi em um tempo que já existiu
Só não sei quando, nem onde, nem como...
E por que ele se foi sem eu ter deixado registradas
As minhas marcas.
Esta vontade demesurada de viver coisas
Que me trouxessem a paixão perdida no limbo do que não houve.
Quero a vida que pulsa lá fora,
Que se manifesta nos raios do sol...
Mas a cortina densa da tristeza
Que de mim se apossou não deixa os raios passarem
E a alegria não vem...
Em seu lugar vêm as lágrimas que, teimosamente,
Rolam sobre o meu rosto.
O meu rosto é uma máscara triste
Onde cada sulco, cada marca, cada ruga,
Traduzem o meu desalento, o meu desencanto... o meu penar...
O que posso fazer se os meus horizontes estão curtos e incertos...
Meus pensamentos rolam em desalinhos,
Desgovernados pelas ladeiras da maldita solidão
Que de mim fez escrava.
Entrego-me aniquilada nesta ciranda insana
Como a imolar-me em um sacrifício inócuo... medíocre...
Tentei de novo me curar da dor da solidão
E me perdi pelos atalhos do meu coração.
Então cantei a poesia num sofrer sem fim,
Pois que, a solidão, tornou-se dona de mim!
Se há motivos para a solidão
E o desalento sonhar,
No refúgio do meu sentimento
Desencanta a saudade que ficou no ar.
Ah! Maldita solidão,
Não a quero como companheira!
Ei, alma prisioneira
Queimando imensa fogueira,
No inferno da solidão...
Deixa em paz o meu coração!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasia 110