domingo, 28 de fevereiro de 2016

POEMA 244 - PECADO ORIGINAL, FRUTO SATÂNICO

Quem há de não se envolver
neste jardim de promessas e delícias
onde satã seduz
com o fruto pecaminoso
abençoado pela luxúria
- delicia aos nossos sentidos
de damas mundanas -
Insaciáveis. Incorrigíveis.
Ah, as putas da historia,
Cleópatra, Esmeralda, Madame Pompadour,
 Teodora de Bizâncio,  Egipcíaca,  Victorine,
 musas e putas,
dentre tantas outras irmãs do vício,
 que na sarjeta se atiram
por puro deleite de suas almas profanas
prenhas de carnalidade!
Paixão pela lascívia proibida
que consomem as carnes
e corrompem os sentidos
desvairados, incontidos,
numa dança louca
onde deus e demônio
tentam lhes possuir.
A quem nos entregar
Senão aquele que maior prazer
 proporcionar!
Prazer intenso , desmedido
que deixe suas marcas
no corpo e na alma
De uma mulher
que se sente
deusa
e nasce
santa
e vive
e morrerá
Puta.
Apenas para o deleite
de todos os seus sentidos!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 243 - METAPLÁGIO AO POEMA "ANJO PROFANO" DE AUTORIA DE ANJOS URBANOS

O teu verso é profano, meu querido,
que faz tua alma em ânsias
vomitar as agruras em náuseas
que a vida te impõe, tal qual,
bebida etílica miscelâneas no sangue
que te corre nas veias.
Desvenda com tua lança, ó rústico guerreiro
o  Monte de Vênus
entre as pernas de uma mulher
E verás que entre o céu e o inferno
um deus chora de gozo e se entrega
aos lascivos braços de Satã!
Doçuras? Não as quero! Nem sutilezas.
Apraz-me o chicote
a marcar-me o orgulho, e os dentes
lacerando-me as trêmulas carnes.
No êxtase, renasço em raios
Mistura de sêmem, mel e xixi!
Ao solo, o Olimpo!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

242 - SUPLICO-LHE: NÃO ABRA A MINHA CAIXA DE PANDORA!



Por favor, suplico-te: não abras a minha Caixa de Pandora. Não gostarás do que ali está guardado! Os meus mais vis desejos, ali os escondi. Meus anseios incomensuráveis, minhas fomes sem mesuras, as minhas mais condenáveis fraquezas, minhas invejas doentias e famintas, meus sentimentos mais abjetos. O abominável, está ali. Não ouves seus guturais roncos? Não abra a minha Caixa de Pandora! Não desperte meus piores pesadelos, meus medos demoníacos, meus pactos com satã, estão lá, e à espreita do menor deslize. Estive no inferno e jantei à mesa com os seus convivas mais ilustres e bebi com eles o sangue dos inocentes na taça flamejante de Satã. Não desperte por clemência, meus vis sentimentos. Para a minha e a tua salvação, tranquei-os na Caixa de Pandora! A demência mora lá. Não a queira aqui fora. Os pactos libidinosos que fiz com as insanas criaturas da noite, na escuridão dos dias, minhas taras mais absurdas, todas as minhas parafilias, ali quedam. O que há de mais asqueroso e purulento, encontra-se escondido lá, apenas espreitando uma pequena fresta na abertura da Caixa, e libertar-se-á. O que há de mais inominável, está a espreita, para comer-te a carne, beber-te o sangue e sugar a tua alma. Não haverá salvação se abrires a minha Caixa de Pandora! Eu te suplico, não abras a minha Caixa de Pandora! Se não queres conhecer o inferno, não a abra, posto que, para meus demônios não há correntes que os detenham. Nem credos, nem rezas. Nem este teu Deus, te salvará! Não abras a minha Caixa de Pandora!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 241 - INSACIABILIDADES

Arrastam-me  à sarjeta
cegas paixões, gozos ninfômanos...
- Quão belas e sedutoras são as sarjetas -
Mais fortes que minhas crenças pagãs!
Posto que, de há muito de mim,
desfez-se Deus ...
Nem mesmo ele (se existisse!)
Far-me-ia desvencilhar-me
do bem maior:
O gozo desmedido!
Nas linhas da minha mão está escrito:
"a sarjeta é teu lugar,
mulher de vícios e pecados
que fazes do gozo desvairado
teu deus maior".
Puta, entre bêbados, poetas. loucos e boemia,
Vivo a minha maldita vida,
Em afrodisia,
Pelos becos e tropeços
Onde se consagra
O pecado da luxúria - a deusa do meu destino!
Na toca do Lobo
que grita esfomeado
num tormento de fome e sede
- de carne, de sangue -
Eu o sacio!
Prazeres e agonias
Em gozo absurdo
êxtase profano e profundo,
meu corpo, meu deleite, minha poesia!
Sou  da noite, dama-rainha - Puta!
Em absoluta primazia.
Minha religião: Afrodisia,
Meu deus: Pecado!
Minha vida: Sexo!
Meu mundo: Poesia!
Assim vivo. Assim sigo
Escolhi a sarjeta.
Por opção e vocação, sou Puta!
E nada, nem o teu Deus, 
Me arranca deste meu doce inferno!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet