quinta-feira, 29 de junho de 2017

POEMA 268 - ODE À MINHA MEMÓRIA, AMOR MEU!

Se, eu me for de repente
do tempo que o tempo me deu,
lembre-se de mim, amor meu,
tal qual tantos poetas
"que te amei mais do que pude".
E quando nas frias madrugadas
tuas trôpegas mãos buscarem meu corpo
e só encontrares o travesseiro frio
lembre-se, amado meu, 
"que te amei mais amiúde"!
Na travessia invernal em que ainda fores tempo,
adentro ainda por estas paisagens,
e sentires a mão algoz da solidão fria
a doer em teus ossos frágeis,
lembre-se, vida minha,
que estarei contigo,
enquanto em ti, me guardares.


Autoria: LavíniaAndrill
Tela: Marc Chagall - Pintor russo (1887-1995)

POEMA 267 - DEVANEIOS


A noite enlueceu! A louca lua enluarada
Que brincava nas meninas dos teus olhos
De serenos e orvalhos...
Molhados de frêmitos e calores...
Mergulhou em meu regaço de rosas vermelhas e sargaços...
Parindo pirilampos em meu orbe,
Banhando-me de luz!

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Amo o álamo que te refrescas em sombras
Amo tua boca, desvairada e louca,
E estas tuas mãos brincando de fazer ventos
Sobre a minha cabeça tonta.
Na lubricidade dos nossos segredos
Tão bem guardados em nossos poros
Fragmentos de ânsias e delírios...
Amo, os nossos arrebóis
E esta nossa mania de nos alimentarmos
de lírios!

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É imprescindível que me ames, sem demora.
Antes que a ultima pedra role pela estrada afora
Antes que a poeira da ultima estrela
Caia em teus olhos e faça rolar a tua derradeira lágrima,
Antes que eu te mande embora.
É imprescindível que me ames, sem demora.
Agora!


Autora: Lavínia Andrill

POEMA 266 - VIGÍLIA DOS DESEJOS

Ronda-me em vigílias a tua imagem
em meus quartos e minhas varandas
donde tantas vezes tu divagasses
refastelando tuas liturgias, teus insanos quereres...
Ronda pela casa a tua imagem gostosa,
adentra quartos e varandas,
quintais, sótãos e porões,
teus sagrados pergaminhos,
fontes dos teus delírios e lascívias...
e assombra a minha tristeza
e aviva minhas saudades
despertando meus desejos
transgressores, desvairados
e esta vontade tirânica
que não se acaba,
de tê-lo entre as minhas pernas...


Poema de Lavínia Andrill
Tela de Ramy Dajas Rojas

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Tango Flamenco (HD Dolby Surround 5.1)





DELÍCIA! DELÍCIA! DELÍCIA!

POEMA 265 - FELINA

Chegando... de mansinho...
tal felina espreitando as calçadas
tomando a si
os aromas da madrugada
rainha dos becos
fareja mistérios
e amores...
de olho nas estrelas!
Assim, noite a dentro segue
desbravando sonhos e encantos
pecados e delírios
paixões e promessas
vãs...
 gata dos becos
não se prende a ninguém
o tango a inebria
o vinho a endoidece
mas, escrava do amor,
sem segredos ou pudores,
inteira
se entrega
ao lauto jogo dos prazeres
e da luxúria!
É no coração da noite que me encontro
(miau)



Imagem: Internet