quarta-feira, 13 de março de 2019

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

POEMA 277 - A IMENSIDÃO DE UM ÓDIO


Arde em mim um ódio imenso,
incomensuravelmente, insano
de um tamanho absurdo
que grita nas entranhas
mas, não se mostra ao mundo
- quem o compreenderia?
Treme as carnes, desventrando as vísceras
enlouquecendo a alma...
Desesperação dos sentidos
ensandecidos que clamam
por misericórdia
- ninguém os ouve,
- nem Deus... se o matei!
O que fazer para acalmar
os demônios que em mim rugem,
e tanto me dilaceram?
Cálice de sangue maldito
sorvo garganta adentro
conspurcando-me, vida a fora.
(mais uma loucura imensa
desvirginando a
brancura de um papel...)
Os demônios, em mim, rugem!
E este ódio que não controlo,
lentamente me mata!
Deus, depois de matá-lo milhões de vezes,
definitivamente, o matei!
estou só, mergulhada
na imensidão de um ódio
que me enlouquece
e me escraviza!
- ainda saberei ressuscitar Deus
um dia?


Imagem: Internet

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

276 - DOCE MENINO DE ARREBÓIS IRISADOS

Estes teus olhos de chuva fina
Penetram-me em gotas serenas
Deleitando-me olores
Em meus intrépidos quereres!
Ah! Menino, de arrebóis irisados
De tardes quase dia, quase noite
Deixa-me alvorecer em frêmitos
Nesta tua boca de orvalhos
A encharcar-me os poros...
Doce menino, bem sabes que te quero
Tanto, tanto, que enlouqueço
Leve-me para perto do teu colo
Deste teu estro encantatório
Que tanto me apraz! E mereço!
Preciso dos teus ardores
Teus quereres, teus amores
nesta paixão desembestada
Açoitando-me a alma
E açaimando-me os ímpetos
Deste querer absurdo!
Doce menino, arrebata-me
No furacão que me são
Teus catárticos desejos
E que eu exploda, em mil pedaços,
Entre amor e gozos!



Poema de Lavínia Andrill
Tela "O mundo de Maribe"

Million de roses - Dominique MOISAN



Uma das meais belas canções, para mim! Apaixonante! A poesia triste da sua letra é cativante! E a melodia, me abarca!


UM MILHÕES DE ROSAS

Era uma vez, um pintor
tendo apenas telas e cores,
mas ele amava uma atriz,
aquela que amava as flores.
Então ele colocou à venda
suas pinturas, sua humilde morada
e assim comprou
um oceano inteiro de flores.
Um milhão, um milhão,
um milhão de rosas vermelhas.
Através da janela, através da janela,
pela janela que você descobre
aquele que te ama, aquele que te ama
aquele que te ama de verdade
e vai mudar toda a sua vida
em flores para você.
Na janela, ela se pergunta
foi realmente algo
como um espetáculo glorioso
o lugar está cheio de rosas.
Sua alma está congelada por um momento:
- Quem é esse amante engraçado?
E em um canto, todo tremendo
o rapaz bonito abaixa os olhos.
Um milhão, um milhão,
um milhão de rosas vermelhas.
Através da janela, através da janela,
pela janela que você descobre
aquele que te ama, aquele que te ama
aquele que te ama de verdade
e vai mudar toda a sua vida
em flores para você.
A linda reunião foi breve,
ela saiu a noite,
mas em sua vida havia
o maravilhoso campo de rosas.
As pinturas do pintor tornam-se famosas
agora tinha apenas um tema,
um quadrado coberto de flores,
em uma linda janela, quem o ama.
Um milhão, um milhão,
um milhão de rosas vermelhas.
Através da janela, através da janela,
pela janela que você descobre
aquele que te ama, aquele que te ama
aquele que te ama de verdade
e vai mudar toda a sua vida
em flores para você.

275 - POETA, EU? QUISERA SÊ-LO!


Poeta eu?
Ri-me a alma
Alinha-me o sorriso torto
Tal donzela envergonhada...
Poeta, eu?
Não o sou, apenas arrisco
Rabiscos,
Pobres diabos deixados
No jardim do léxico.
Palavras toscas
Que as vezes me sobressaltam
E caem em borbotões desenfreados
E se espalham em vãs tentativas
De encontrar um significado.
Poeta, eu?
Quisera sê-lo!
Porquanto, falta-me tanto!
Calíope não me acolhe
As vezes, acena-me ao longe
Mas, vira-me a face e de mim, ri.
E vira-me as costas. E se vai.
Por isto, não sou Poeta!


Poema de Lavínia Andrill
Imagem: Internet

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

274 - NADA TE PEÇO MAIS, AMOR MEU!

Nada te peço mais
Aqueles teus lascivos beijos, 
Aquelas carícias desnudas, 
Tuas mãos hábeis
desbravando os meus territórios...
Nada te suplico mais 
A tua voz rouca, imperceptível, edaz,
A sussurrar aos meus ouvidos
Aquelas loucuras, doces e vulgares...
Nada te peço mais
O enroscar das tuas pernas ás minhas, 
Teus braços fortes a enlaçar-me
Em puro deleite
Na prisão eterna que me é
Os teus ensandecidos desejos...
Não mais te despertarei
Nas frias, insones e longas madrugadas,
Não mais seduzirei teu corpo,
teus sentidos, teu sexo...
Não mais!
Seguirei meu caminho solitário
A espera de que, não mais,
Eu te deseje.


Imagem: Internet
Poema: Lavínia Andrill

quinta-feira, 14 de junho de 2018

POEMA 273 - ZÉ MANÉ


Fera humana, num repente se torna...
Esquece o gentil cuidado
Com os atos e as palavras
Tomando-se em esquivanças
Por quem a mão lhe estendera...
A estranheza o domina
Conspurcando a quem dele se aproxima
E ao lodo joga as suas virtudes
(um dia, as tivera?)
Pois, a lança a soltar-lhe boca afora
Mil feridas sangram
(não há cura!)
Compraz-lhe, aquele escolhido por alvo,
O sofrimento
Tirânica obsessão cega-lhe, a loucura
E julga-se senhor da razão!
O contraponto fora do ponto:
Zé Mané!
A ninguém engana
Pobre diabo!
Dentro de si, um coração atormentado
Uma alma tosca e pequena
Que a todos fere com seus modos vis
E segue em seu destino roto.


Direitos Autorais: Lavínia Andrill
Imagem: Internet



quarta-feira, 13 de junho de 2018

Dmitri Shostakovich - The Second Waltz



Música dos Deuses!

POEMA 272 - A ÚLTIMA MELODIA, A ÚLTIMA DANÇA

Quisera eu, morrer assim,
Ouvindo a mais bela melodia
Ao som de violinos, adentrar-me os ouvidos
Penetrar cada célula, prenhe em epifanias
E alcançar a minha alma,
Indelevelmente!
Se possível, dançar!
Loucamente rodopiar...
Atirar-me ao vento
Lançar-me por terra
Voar sobre as árvores, rios, oceanos
Alcançar nuvens, desvirginando horizontes!
Dançando... dançando... dançando...
Até que me sopre a última brisa
E o coração em êxtase
Bater acelerado ao ritmo da música
Que me atravessa por inteira!
Corpo em baile com a alma
Sentir os últimos acordes,
Penetrando-me as vísceras e,
Entregar-me, enlouquecidamente,
A última melodia, a última dança,
Ao último suspiro...
Até os olhos alcançarem
A escuridão do nada!


Direitos Autorais: Lavínia Andrill
Imagem: Google

POEMA 271 - NOSTALGIA


Nostalgia
abocanha-me, inclemente!
Saudade de uma vida que não tive
Nem vivi, mas queima em fráguas,
Em mágoas, por não ter me permitido
Que assim fosse... vivido!
Rasga o peito em tormentas
Uma dor imensa,
Inexplicável,
Dilacerando vísceras
Enegrecendo-me a alma,
criança atônita ,
Que incalma chora
Na prisão de um corpo
que não se permite,
Sequer admite,
Ser feliz.
E, simplesmente, segue

Rumo ao inexorável fim!


Direitos Autorais: Lavínia Andrill
Imagem: Google

POEMA 270 - SANTA LOUCURA


Que a santa loucura me atravesse
Tal raio em tempestade
E me tome por inteira.
Que não haja réstia
De meia-lucidez
(que a loucura seja a minha bandeira,
amiga e companheira) e
Entregar-me ao inusitado
A insanidade poética
Dos loucos desvairados
(quem sabe a vida tenha sentido?)
Dançar na chuva, na madrugada
Até sangrar-me os pés descalços
Na nua e fria calçada.
Ouvir os acordes
Da minha insana mente, e
Rodopiar, dançar, loucamente,
Lançar-me ao vento, flutuar
Até a exaustão do corpo
E o êxtase da alma.
Até que me reste um sopro de vida
Até o bater do último tambor
Em meu peito extenuado
Até abraçar-me a morte
E a escuridão adentrar-me
E eu me entregar, docemente,
Ao nada.


Direitos Autorais: Lavínia Andrill
Imagem do Google

domingo, 11 de março de 2018

POEMA 269 - PERMISSIVIDADES


Sirva-me a ti, meu Dom, em lauto banquete
de luxúria e permissividade
numa opulência de devassos requintes orgiásticos
e inconfessáveis loucuras...
Licencio a ti, amor meu, meu corpo por inteiro
e, se quiseres, dou-te a alma
e de ti serei escrava
por eternidades.
Faça o que quiserem teus insanos desejos
no imaginário desta tua devassa mente.
Não me poupes nada.
Não te imponho limites.
Quero desfrutar a exaustão
estes teus loucos quereres...
Leva-me ao céu ou ao inferno,
se assim quiseres.
Submeto-me sem reservas
e subjugo o orgulho e o medo,
deus supremo da libertinagem.
Para glória e delícias
da minha alma obscena,
a ti me avassalo,
desmesuradamente, meu Dom!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

quinta-feira, 29 de junho de 2017

POEMA 268 - ODE À MINHA MEMÓRIA, AMOR MEU!

Se, eu me for de repente
do tempo que o tempo me deu,
lembre-se de mim, amor meu,
tal qual tantos poetas
"que te amei mais do que pude".
E quando nas frias madrugadas
tuas trôpegas mãos buscarem meu corpo
e só encontrares o travesseiro frio
lembre-se, amado meu, 
"que te amei mais amiúde"!
Na travessia invernal em que ainda fores tempo,
adentro ainda por estas paisagens,
e sentires a mão algoz da solidão fria
a doer em teus ossos frágeis,
lembre-se, vida minha,
que estarei contigo,
enquanto em ti, me guardares.


Autoria: LavíniaAndrill
Tela: Marc Chagall - Pintor russo (1887-1995)

POEMA 267 - DEVANEIOS


A noite enlueceu! A louca lua enluarada
Que brincava nas meninas dos teus olhos
De serenos e orvalhos...
Molhados de frêmitos e calores...
Mergulhou em meu regaço de rosas vermelhas e sargaços...
Parindo pirilampos em meu orbe,
Banhando-me de luz!

..................................................

Amo o álamo que te refrescas em sombras
Amo tua boca, desvairada e louca,
E estas tuas mãos brincando de fazer ventos
Sobre a minha cabeça tonta.
Na lubricidade dos nossos segredos
Tão bem guardados em nossos poros
Fragmentos de ânsias e delírios...
Amo, os nossos arrebóis
E esta nossa mania de nos alimentarmos
de lírios!

................................................

É imprescindível que me ames, sem demora.
Antes que a ultima pedra role pela estrada afora
Antes que a poeira da ultima estrela
Caia em teus olhos e faça rolar a tua derradeira lágrima,
Antes que eu te mande embora.
É imprescindível que me ames, sem demora.
Agora!


Autora: Lavínia Andrill

POEMA 266 - VIGÍLIA DOS DESEJOS

Ronda-me em vigílias a tua imagem
em meus quartos e minhas varandas
donde tantas vezes tu divagastes
refastelando tuas liturgias, teus insanos quereres...
Ronda pela casa a tua imagem gostosa,
adentra quartos e varandas,
quintais, sótãos e porões,
teus sagrados pergaminhos,
fontes dos teus delírios e lascívias...
e assombra a minha tristeza
e aviva minhas saudades
despertando meus desejos
transgressores, desvairados
e esta vontade tirânica
que não se acaba,
de tê-lo entre as minhas pernas...


Poema de Lavínia Andrill
Tela de Ramy Dajas Rojas

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Tango Flamenco (HD Dolby Surround 5.1)





DELÍCIA! DELÍCIA! DELÍCIA!

POEMA 265 - FELINA

Chegando... de mansinho...
tal felina espreitando as calçadas
tomando a si
os aromas da madrugada
rainha dos becos
fareja mistérios
e amores...
de olho nas estrelas!
Assim, noite a dentro segue
desbravando sonhos e encantos
pecados e delírios
paixões e promessas
vãs...
 gata dos becos
não se prende a ninguém
o tango a inebria
o vinho a endoidece
mas, escrava do amor,
sem segredos ou pudores,
inteira
se entrega
ao lauto jogo dos prazeres
e da luxúria!
É no coração da noite que me encontro
(miau)



Imagem: Internet


domingo, 23 de outubro de 2016

POEMA 264 - GUERREIRA!

Esta magia em me reinventar
de recolher as cinzas e me transmudar
em dúctil matéria...
De onde vem?

Esta teimosia
que trago em meus olhos
(sempre buscando novos caminhos)
os quais percorro, um a um,
incontinenti...
De onde vem?

Esta vontade tirânica
que domina o meu ser
e me empurra adiante
sem jamais admitir as derrotas
(pequenas batalhas a vencer)...
De onde vem?

Este embalar, incansável, de sonhos
(nunca, quimeras...)
que tanto encantam minha alma
tornando-me sempre mais forte
a cada levantar de uma queda
(não me faz recuar... apenas ir
- se, à frente é que se anda)...
De onde vem?

VEM
da argila rara
com a qual foram feitas
as destemidas guerreiras.
Incansáveis. Insaciáveis... tão contumazes!
Jamais vencidas!


Autora: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

domingo, 16 de outubro de 2016

POEMA 263 - PAIXÕES E AUDÁCIAS...

Que sina a minha,
mulher de sentidos incontroláveis
paixões inevitáveis
e audácias incontáveis...
O contraditório e o inesperado,  embriagam-me!
Tentam a minha insaciável sede
de quereres absurdos...
Sou uma taça que nunca se esvazia
Prenhe de desejos desvairados que tanto me flamejam!
Devaneante tresloucada, sou por opção,
para prazer do meu corpo e deleite da minha alma
Posto que, só me apraz, as paixões desmesuradas
os amores inconcessos, as loucas madrugadas...
Anjo libertino de asas quebradas
Para que asas, se a terra é o meu destino
e meu voo são os sonhos...
e a liberdade que tanto me consome
(nunca a alcanço!)
Valsa de fogo, não me dá alento
Em danação, vive minha alma
Meu corpo é fornalha
brasas que nunca se apagam
apenas ardem.
Apenas ardem.


AUTORA: Lavínia Andrill
Imagem: TELA de Liu Yuanshow

POEMA 262 - O RENOVO DE UM SONHO

Do precipício da alma, emergiram-me os sonhos
Das profundezas abissais, o renovo de um canto
que julguei morto
E rasgam-me a garganta num delírio inevitável
Ressuscitados!
Nada foi em vão!
Nada se perdeu!
A dor, que em rasgos de desgraças,
estraçalhava-me a alma,
recolheu suas garras
Já não mais se mostra
Queda-se, vencida
Dissipara-se o breu
Enfim, os clarins de uma nova aurora
embala o velho peito, em esperanças!
Ao longe, lentamente, aproxima-se uma tênue luz...
A alma já não chora,
O peito já não geme,
A esperança, menina travessa,  acaricia meus cabelos de lua...
 A borrasca da minha alma
Tornou-se bonança.
Os sonhos, renovaram-me!
O etéreo, eternidade!


Autora: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 261 - SEGREDOS VIS

Por que sussurras aos meus ouvidos
estes segredos vis
Se estes teus segredos, são minha perdição,
E nesta perdição é que me salvo...
- todas as tuas perversões, Senhor?
Se, num átimo dos teus desejos amalgamados aos meus,
perdendo-me, me salvo...
Estes teus segredos vis levam-me a terras distantes
aonde ninguém adentra
onde enfrento meus monstros
adestrados por ti. Meu deus pagão. Senhor!
Despertas em mim vontades inconfessas
loucas, libertinas, ardilosas. Tão vis!
Tens o poder de me conduzir com o teu querer encantatório
meu Dom, meu Senhor!
Joga-me ao calabouço dos desejos insanos e paixões desembestadas
Prazeres tão estranhos... tão sutis...
Ah, estes nossos segredos vis
meu Santo Graal, sem o qual não mais vivo!
Minha pobre alma, em danação, perde-se e se encontra
nos meandros destes teus quereres aos quais me subjuga.
Profanos!
Ardis aos quais me submeto. Por devoção, amor e vocação.
- Há sentido para uma desenfreada e tresloucada paixão?
Valsa de fogo a beira do abismo
para onde me arrastam os sentimentos desgovernados...
Não! Não há como resistir ao domínio
destes teus segredos vis
Destes teus quereres libidinosos,
se para mim são apenas fascínios!
Sacralizados. 
(O chicote que lacera, a pele acaricia)
Senhor, meu Dom!




Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: GAGUTH

POEMA 260 - ESTRANHA ALQUIMIA

Tal veste que adorna um corpo
assim é o teu em mim.
Tatuagem que não se remove.
Em arroubos de uma paixão desvairada
torno-me porto. Tu, embarcação, em mim atracada
afluindo teus desejos aos meus
sempre tão incontidos!
Subverto-me a ti em uma estranha alquimia...
Guardião dos meus quereres
Sacerdote da minha alma
Como não atender ao teu chamado?
A danação dos teus quereres desvairados
A taça pervertida que me solves
garganta abaixo e domina todo o corpo
e me provoca em êxtases,
enlouquecendo a minha alma... como recusá-la?
Tão fácil se espalham as chamas...
Nosso pacto de sangue ainda dói em nossos pulsos
Juramentos. Entregas infinitas. Transubstanciação.
Coisa louca, esta paixão!
Fogo líquido a escorrer-me pela alma e pelas pernas
Não queima. Alivia meus ardores.
Alivia... apenas!
Numa estranha alquimia!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

sábado, 30 de julho de 2016

POEMA 259 - AMORES FRÁGEIS, O TEMPO DEVORA

O que restou de nós dois, apenas o espanto
de uma palavra que não se encaixa
em nenhum sentido. Desencanto?
Quebrantos em lágrimas
na alma nua, prantos.
Vinho derramado.
Reminiscências do que ficou
em rasgos de nadas
como musgos pisados.
Flauta que não toca.
Pássaro cego em voo torto não encontra ninho,
amor quebrado
perdido nas dobras de um tempo
onde o paraíso era o destino
- Este travesso menino que nos escapa -
quando mais o queremos
tal água fugidia nos dedos do tempo.
Cronos não perdoa, a tudo devora.
Amores de cristal, até o vento os quebra.
É pó. Evapora!



POEMA 258 - ALVORECER EM NOSSOS CORPOS

O dia alvoreceu em teus olhos de noite intensa
e a cálida lua adormeceu nestes teus lábios de preces.
Os albores de uma manhã intensa
tecem borboletas em teus cabelos de avelã
Despertando ais em meus suspiros!
Zangões evolados no casulo dos desejos
despertos, outra vez,
com o rosicler alvorecendo em nossos corpos.
Atravessa-me a alma um mar de poesias e enlevo.
Epifania de uma manhã que se desperta,
lânguida e morna,
numa ciranda de odores, cores e amores.
Assim somos nós: misturando noite e dia
sem tréguas nem descansos.
Desbravando noites, despertando arrebóis,
Reminiscências de uma paixão
que não se cansa e não se basta
e nos leva a uma doce exaustão
nas manhas de nossas entregas.


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet