Há uma elegância sutil em cada verso parido das entranhas em brasas de um Poeta, pois, o poetizar não carece de subterfúgios, nem pudores... Poesia tem que ser prazerosa. Versejar e degustar a poesia, como um orgasmo inesquecível! É como solver um saboroso vinho a escorrer deliciosamente pela boca. Ou, entre os seios da amante desejada. Ou, o saboreio de ostras cruas com limão e molho lambão (bem baiano!). Desculpem-me, a soberba, mas, Poesia não é para todos.
domingo, 7 de agosto de 2016
sábado, 30 de julho de 2016
POEMA 259 - AMORES FRÁGEIS, O TEMPO DEVORA
O que restou de nós dois, apenas o espanto
de uma palavra que não se encaixa
em nenhum sentido. Desencanto?
Quebrantos em lágrimas
na alma nua, prantos.
Vinho derramado.
Reminiscências do que ficou
em rasgos de nadas
como musgos pisados.
Flauta que não toca.
Pássaro cego em voo torto não encontra ninho,
amor quebrado
perdido nas dobras de um tempo
onde o paraíso era o destino
- Este travesso menino que nos escapa -
quando mais o queremos
tal água fugidia nos dedos do tempo.
Cronos não perdoa, a tudo devora.
Amores de cristal, até o vento os quebra.
É pó. Evapora!
POEMA 258 - ALVORECER EM NOSSOS CORPOS
O dia alvoreceu em teus olhos de noite intensa
e a cálida lua adormeceu nestes teus lábios de preces.
Os albores de uma manhã intensa
tecem borboletas em teus cabelos de avelã
Despertando ais em meus suspiros!
Zangões evolados no casulo dos desejos
despertos, outra vez,
com o rosicler alvorecendo em nossos corpos.
Atravessa-me a alma um mar de poesias e enlevo.
Epifania de uma manhã que se desperta,
lânguida e morna,
numa ciranda de odores, cores e amores.
Assim somos nós: misturando noite e dia
sem tréguas nem descansos.
Desbravando noites, despertando arrebóis,
Reminiscências de uma paixão
que não se cansa e não se basta
e nos leva a uma doce exaustão
nas manhas de nossas entregas.
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
sexta-feira, 29 de julho de 2016
POEMA 257 - SOLIDÃO EM MIL DISFARCES
Não emirjas, solidão
Fica no limbo a que te lancei
não emirjas!
Não te metamorfoseies em promessas vãs
Nem te disfarces de lua nua
a seduzir-me nas insones madrugada
empoemando as noites frias.
Nem te escondas nas gotículas de chuvas
a escorrer-me na face. Cansada.
Não te disfarces, solidão, em crepúsculos d'ouros
nem me tentes tal sereia desvairada.
Solidão, figura indigesta, não a quero como companheira
em noite de breu intenso. No quarto e na alma.
Não me tentes tal bacante despudorada
ou moças fáceis na calçada...
És cíclope, fundindo a fogo, os raios de Zeus,
sobre a minha cabeça. Tonta.
Prenhe de ti, solidão maldita,
que não posso abortar.
Simplesmente, por que és minha.
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
POEMA 256 - MUITO ALÉM DE VIAGENS
Quiser'eu saber das cousas de além-mar
de além-céu, de além-vida.
Plainar por mundos de belezas absurdas.
Viajar... pra fora de
mim...
Fazer de viagens, meu destino
Provar as delícias do desconhecido
e adormecer no colo das novidades.
Conhecer rincões, mares, montanhas, flores e amores...
Desbravar as artérias de uma cidade, seus encantos, seus
mistérios,
seus becos, suas ruelas, seus medos...
Verter sabores na mesa e na cama
nunca dantes provados.
Apenas sonhados.
Viajar... pra dentro de mim...
despertar meus albores, aceitar meus crepúsculos
entender o deus e o demônio
que dão-se as mãos e de mim riem...
Mas me amam.
Viajar... para muito além do inimaginável
sem a pretensão de entender. Nem estar.
Apenas... viajar.
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
POEMA 255 - DO DEUS DE MIL FACES, ESCRAVA
O deus de mil faces, espreita-me,
nas ruelas e becos das minhas andanças
e cobra seu dízimo, inclemente.
O deus de mil faces
não me ama. Sou rês desgarrada, amaldiçoada.
Na sua teia, acorrentada!
O deus de mil faces
me despreza, me odeia.
Joga-me à sorte de um pressago destino
e não me perdoa as vidas pregressas
de tantas idas e voltas. Incertas.
Não me perdoa os vis pecados, os vícios abjetos, os desejos
profanos
que tanto aprazem a minha alma lasciva-mundana!
O deus de mil faces
traz tormentos a minha alma
Nega-me o éden
condena-me ao inferno.
E não me salva!
Mas, não me importa! Rendo-me a ele.
Sou sua escrava
eterna. Por eras e eras.
O deus de mil faces
não tem olhos, não tem ouvidos, não tem coração...
Não tem face.
E nem me ama.
Autora: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
domingo, 17 de julho de 2016
POEMA 254 - SAUDADE É GAIOLA
Você... Passarinho cantante
em minha gaiola (teu ninho).
Fotografei o teu canto, passarinho,
e ele fincou pé
no negativo do meu (des)encanto.
Teu canto ainda canta em mim, passarinho
num gorjear de distâncias e lamento.
Saudade é gaiola, passarinho. Tormento.
E o teu canto ainda canta,
e vem e vai, com o vento
deambulando saudades e vontades
em irrefutável deslembrança;
que pena, passarinho!
Somos de plumagens diferentes
e nossos vôos, solitários...
mas,
o teu canto ficou preso
na gaiola inconsútil da saudade.
Ninho que nem se fez...
Passarinho!
Autora: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
sábado, 16 de julho de 2016
POEMA 253 - ARPEJOS EM TEU CORPO
Teus desejos são-me arpejos
no teclado do teu corpo
onde ressoam acordes
tal vibrato frenético
e explodem em quasares
aos meus olhos extasiados
e meus ouvidos perplexos
aos sons dos teus desvarios.
Em mim, todos os meus cios,
em insanas ânsias,
transmudados,
já não me cabem.
Em ti, a bem aventurança
fecundando os meus rios
verdejando os meus prados.
Em nós, a dança louca do coito
abençoado.
Toma-me como água a matar a
tua sede
Cede para mim a tua timidez
desfaça teus medos e mergulhe
em minhas águas serenas. Talvez.
Mas, não provoque os meus
ventos
se não quiseres ser tragado
pelo furacão que é-me a alma...
talvez... tu gostes.
Autora: Lavínia Andrill
Tela do peruano Dante Guevara
POEMA 252 - OS MEUS SILÊNCIOS SÃO DESASSOSSEGOS
Os meus silêncios são desassossegos
a cavalgarem-me nas insones madrugadas
desbravando-me as ruelas e becos e labirintos
da minha inquieta alma alada.
Os meus silêncios são astros pálidos
a refletir meus secretos anseios
mas, quedam-se em meu céu, aprisionados.
Atam-lhe pesados arreios.
Os meus silêncios tem mil vozes
a esvaírem em esquálidos desmaios
a revelar-me medos atrozes.
Os meus silêncios é dama incalma
Calam-me os lábios, amordaçam-me a língua.
Mas, não alcançam a minh'alma!
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
POEMA 251 - TEMPO DE ESTIO
O léxico, de mim se esconde.
Estranha-me, não me decifra
neste labirinto em que se perderam-me
as ideias... abstratas, fluidas,
tal qual, água teimosa a escorrer-me
pelos dedos frouxos
nas desoras irresolutas
a esconder-se no desvão
deste meu desassossego!
Em torno de mim bailam as palavras
tal gitana louca a rodopiar em desvarios,
dispersas pelo vendaval
que assombra a minha mente: útero infecundo!
Nenhuma sílaba! O verbo não se mostra!
Autoria: Lavínia Andrill
Tela: Jeong Hae-Kwang
Tela: Jeong Hae-Kwang
domingo, 19 de junho de 2016
POEMA 250 - AS ESTAÇÕES DA ALMA
Vive
tudo o que quiseres viver com a intensidade que a vida exige. Deixe tudo
registrado no livro do teu destino. Gravado em luminuras e pergaminhos, nos
sinais da tua pele! Ame intensamente. Embriague-se de paixão, tal bacante
desvairada. Apaixone-se desesperadamente. Entregue-se sem mesuras! Vive os
prazeres da carne e os devaneios da alma como se o amanhã não houvesse! Curte
intensamente o teu verão. Vive todas as tuas loucuras! Vibre com a tua
primavera e que explodam em flores ou espinhos, as paixões avassaladoras! Assim,
quando chegar o teu outono e não mais carregar em teu ânimo o vigor da tua
juventude e, muitas vezes, teu corpo não mais atender ao chamado da tua mente,
onde a juventude teima em não se aquietar... E, quando chegar o teu inverno e o
implacável frio tremular tuas carnes, e vísceras, e anegrar tua mente, lá, num
cantinho abscôndito da tua alma, estarão as lembranças do esplendor da
vida em todas as vívidas estações: a tua juventude! Elas, as lembranças serão o teu alento, teu alimento, e
te esquentarão do invernecer dos teus dias. E te acalentarão. E te embalaram. Serão
canção de ninar teus ouvidos enfraquecidos! Que role em teus olhos embaçados,
onde ao horizonte não mais alcança, uma análgica e indomável lágrima! Tristezas?
Não! Lembranças! E, elas te acompanharão, num átimo infindável. Até que te
sopre na velha alma, o teu último suspiro! Enfim, poderás dizer a ti mesmo:
Sim, eu vivi o benfazejo destino, em toda a sua plenitude: o verão, a
primavera, o outono e o inverno. Estou pronta para transformar-me em indelével brisa!
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
quinta-feira, 16 de junho de 2016
POEMA Nº 249 - CANÇÃO PARA A MINHA DESESPERANÇA
Dizem que sou guerreira, destemida e forte
mas, onde diabos se perderam minhas armas?
O negror da gélida e temível madrugada
debruça sobre as minhas
pálpebras cansadas
que teimam em manter-se abertas, ao mundo alertas.
Os ecos da minha desesperança, perfuram meus tímpanos,
ensurdecendo-me a
alma que incalma,
dança feito ninfa
louca
em volta da fogueira onde ardem os meus sonhos.
Em que ruelas da vida perderam-se os meus sonhos?
Por que não me acho na estrada em que tracei o meu destino?
Esta dor atávica a apertar-me o peito como se nada mais
tivesse jeito
e na mente tonta apenas idéias desconexas marcam o ponto.
Meus sonhos, frágeis gravetos que a mão do destino,
impiedosamente, quebra...
Um a um. A mim? Nada mais resta!
Nem os cacos, para catá-los. Apenas uma tênue chama
Prende-me a mim mesma. E já não há forças para mantê-la.
Acesa.
A guerreira? Venceram-na! Nada mais resta. Incontinenti!
Autoria Poema: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
domingo, 15 de maio de 2016
POEMA 248 - CARNALIDADES
Se, dentre tantas outras irmãs do vício,
Que na sarjeta se atiram, almas profanas,
Prenhezes de carnalidades e precipícios,
Paixão da lascívia fome humana!
A mulher-dama é muito mais Dama!
Vícios lascivos, insaciáveis,
Consomem as carnes e corrompem os sentidos,
Desvairados, incontidos, numa dança louca,
Onde deuses e demônios proibidos
Tentam lhe possuir... boca a boca.
Morre a Dama, nasce a Puta...
A quem se entregar, senão àquele
Que maior prazer proporcionar:
fogo, luxúria e libido!
Deixando marcas sobre a pele
Prazer intenso, desmedido!
No corpo e na alma da mulher
Que se sente Deusa e nasce Santa
Que vive e morrerá como bem quer
Santa ou Puta!
Quando a matilha se levanta
Apenas para o deleite dos perdidos
Em todos os seus cinco mil sentidos!
Puta e Santa!
Autora: Lavínia Andrill, com mil pitadas dos ANJOS URBANOS
TELA: Iwona Wierkowska
POEMA 247 - LUXÚRIAS E LOUVORES
Palavras rasgadas em pecados
de gozos e taras e rezas pagãs,
afloram-me à boca
em êxtase e cumplicidade.
Gosto das palavras vis,
num conluio sedutor
de uma língua louca
de uma atrevida boca
que reza e peca
de uma língua louca
de uma atrevida boca
que reza e peca
e se mostra serpente,
e lambe, e provoca, quente,
e toma a si
toda lubricidade
de um tenro botão... rosado
- ás vezes se mostra... se esconde, às vezes -
entre dobras e peles.
E se enlouquece e se explode
em frêmitos e quasares.
Fonte secreta de promessas e delícias
- a mulher traz entre as pernas -
Fogo que apaga
toda paixão desvairada.
Botão em flor
Que enlouquece e fode
em luxúria e louvor!
Que enlouquece e fode
em luxúria e louvor!
Autora: LavíniaAndrill
Tela: Iwona Wierkowska
POEMA 246 - MORDAÇA
E esta mordaça que ata machuca e apaga
o grito que não se solta.
E provoca os sentidos
Ensandecidos. Incontidos.
Mas, a palavra não aborta
o verbo desejado, buscado.
Não encontrado.
A mordaça, ata.
Mas, a alma rebela e no peito um grito,
rouco, insano, debate.
Não se solta.
Explode
pelos poros e dedos e unhas e dentes.
Não encontra eco nem sentido nem verdade
porque a mordaça não desata.
À garganta, retorna o grito.
Retorna e morre... lentamente.
E entrega-se ao vácuo
de um coração
que já não se mostra.
Autora: LavíniaAndrill
Tela: Viktor Sheleg
sábado, 2 de abril de 2016
POEMA 245 - DOMÍNIO
Sou serpente sinuosa
na superfície da tua pele. Deslizo.
Desenho caminhos em tuas areias
Mergulho em teus oceanos
Adentro tuas crateras
Queimo-me em teu fogo
que arde em lâminas sobre as minhas carnes
prenhes de desejos.
Venço teus espantos
Domino-te os pudores
Vagueio feito louco
pelos teus horizontes
Desbravo teus segredos
Derrubo teus medos
Subverto tuas vontades
Quebro tuas resistências
Domino-te.
És minha. Por inteira.
Subverto-te.
Apraz-me ver-te assim.
domingo, 28 de fevereiro de 2016
POEMA 244 - PECADO ORIGINAL, FRUTO SATÂNICO
Quem há de não se envolver
neste jardim de promessas e delícias
onde satã seduz
com o fruto pecaminoso
abençoado pela luxúria
- delicia aos nossos sentidos
de damas mundanas -
Insaciáveis. Incorrigíveis.
Ah, as putas da historia,
Cleópatra, Esmeralda, Madame Pompadour,
Teodora de Bizâncio, Egipcíaca, Victorine,
musas e putas,
dentre tantas outras irmãs do vício,
que na sarjeta se
atiram
por puro deleite de suas almas profanas
prenhes de carnalidade!
Paixão pela lascívia proibida
que consomem as carnes
e corrompem os sentidos
desvairados, incontidos,
numa dança louca
onde deus e demônio
tentam lhes possuir.
A quem nos entregar
Senão aquele que maior prazer
proporcionar!
Prazer intenso , desmedido
que deixe suas marcas
no corpo e na alma
De uma mulher
que se sente
deusa
deusa
e nasce
santa
e vive
e morrerá
santa
e vive
e morrerá
Puta.
Apenas para o deleite
de todos os seus sentidos!
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
POEMA 243 - METAPLÁGIO AO POEMA "ANJO PROFANO" DE AUTORIA DE ANJOS URBANOS
O teu verso é profano, meu querido,
que faz tua alma em ânsias
vomitar as agruras em náuseas
que faz tua alma em ânsias
vomitar as agruras em náuseas
que a vida te
impõe, tal qual,
bebida etílica
miscelâneas no sangue
que te corre nas
veias.
Desvenda com tua
lança, ó rústico guerreiro
o Monte de
Vênus
entre as pernas de
uma mulher
E verás que entre o
céu e o inferno
um deus chora de
gozo e se entrega
aos lascivos braços
de Satã!
Doçuras? Não as
quero! Nem sutilezas.
Apraz-me o chicote
a marcar-me o
orgulho, e os dentes
lacerando-me as
trêmulas carnes.
No êxtase, renasço
em raios
Mistura de sêmem,
mel e xixi!
Ao
solo, o Olimpo!
242 - SUPLICO-LHE: NÃO ABRA A MINHA CAIXA DE PANDORA!
Por favor, suplico-te: não abras a
minha Caixa de Pandora. Não gostarás do que ali está guardado! Os meus mais vis
desejos, ali os escondi. Meus anseios incomensuráveis, minhas fomes sem
mesuras, as minhas mais condenáveis fraquezas, minhas invejas doentias e
famintas, meus sentimentos mais abjetos. O abominável, está ali. Não ouves seus
guturais roncos? Não abra a minha Caixa de Pandora! Não desperte meus piores pesadelos,
meus medos demoníacos, meus pactos com satã, estão lá, e à espreita do menor
deslize. Estive no inferno e jantei à mesa com os seus convivas mais ilustres e
bebi com eles o sangue dos inocentes na taça flamejante de Satã. Não desperte
por clemência, meus vis sentimentos. Para a minha e a tua salvação, tranquei-os
na Caixa de Pandora! A demência mora lá. Não a queira aqui fora. Os pactos
libidinosos que fiz com as insanas criaturas da noite, na escuridão dos dias,
minhas taras mais absurdas, todas as minhas parafilias, ali quedam. O que há de
mais asqueroso e purulento, encontra-se escondido lá, apenas espreitando uma
pequena fresta na abertura da Caixa, e libertar-se-á. O que há de mais
inominável, está a espreita, para comer-te a carne, beber-te o sangue e sugar a
tua alma. Não haverá salvação se abrires a minha Caixa de Pandora! Eu te
suplico, não abras a minha Caixa de Pandora! Se não queres conhecer o inferno,
não a abra, posto que, para meus demônios não há correntes que os detenham. Nem credos, nem rezas.
Nem este teu Deus, te salvará! Não abras a minha Caixa de Pandora!
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
POEMA 241 - INSACIABILIDADES
Arrastam-me à sarjeta
cegas paixões, gozos ninfômanos...
- Quão belas e sedutoras são as
sarjetas -
Mais fortes que minhas crenças pagãs!
Posto que, de há muito de mim,
desfez-se Deus ...
desfez-se Deus ...
Nem mesmo ele (se existisse!)
Far-me-ia desvencilhar-me
do bem maior:
O gozo desmedido!
O gozo desmedido!
Nas linhas da minha mão está escrito:
"a sarjeta é teu lugar,
mulher de vícios e pecados
que fazes do gozo desvairado
teu deus maior".
Puta, entre bêbados, poetas. loucos e
boemia,
Vivo a minha maldita vida,
Em afrodisia,
Pelos becos e tropeços
Onde se consagra
O pecado da luxúria - a deusa do meu destino!
Na toca do Lobo
que grita esfomeado
num tormento de fome e sede
- de carne, de sangue -
Eu o sacio!
Prazeres e agonias
Em gozo absurdo
êxtase profano e profundo,
meu corpo, meu deleite, minha poesia!
Sou da noite, dama-rainha - Puta!
Em absoluta primazia.
Em absoluta primazia.
Minha religião: Afrodisia,
Meu deus: Pecado!
Meu deus: Pecado!
Minha vida: Sexo!
Meu mundo: Poesia!
Assim vivo. Assim sigo
Escolhi a sarjeta.
Por opção e vocação, sou Puta!
E nada, nem o teu Deus,
Me arranca deste meu doce inferno!
Assim vivo. Assim sigo
Escolhi a sarjeta.
Por opção e vocação, sou Puta!
E nada, nem o teu Deus,
Me arranca deste meu doce inferno!
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
domingo, 7 de fevereiro de 2016
sábado, 28 de novembro de 2015
quinta-feira, 26 de novembro de 2015
POEMA 240 - UM POEMA PARA HELENA
Sou puta
Quando uso a boca vermelha
Meu salto agulha
E meu vestido preto.
Sou puta
Mordo no final do beijo
Não fico reprimindo desejo
E nem me escondo na aparência de menina.
Sou uma puta de primeira
Acordo às 6:30
Pego ônibus debaixo de chuva
Não dependo de salário de macho
E compro a pílula no final do mês.
Sou uma puta com P maiúsculo
Dispenso o compromisso
Opto pela independência
Não morro de amor
Acordo sozinha
Cresço sozinha
Vivo na minha
Bebo em um bar de esquina
Vomito no chão da cozinha.
Sou uma putinha
Passo a noite em seus braços
Mas não me prendo no laço
Que você quer me prender.
Sou puta
Você tem o meu corpo
Porque eu quis te dar
E quando essa noite acabar
Eu não vou te pertencer
E se de mim você falar
Eu não vou me importar
Porque um homem que não me faz gozar
Nunca terá meu endereço.
E não é gozo de buceta
É gozo de alma
É gozo de vida
É me fazer sentir amada
Valorizada
E merecida
E se de puta você me chamar
Eu vou agradecer.
Porque a puta aqui foi criada
Por uma puta brasileira
Que ralava pra sustentar os filhos
E sofria de racismo na feira
Foi espancada e desmerecida
E mesmo sofrida
Sorria o dia inteiro
Uma puta mulher ela foi
E puta também eu quero ser.
Porque ser mulher independente
Resolvida
Segura
Divertida
Colorida
E verdadeira
Assusta os homens
E os machos
Faz acontecer um alvoroço.
Onde já se viu mulher com voz?
Tem que ser prendada e educada
E se por acaso for "amada"
Tem direito de ser morta pelo parceiro
Cachorra adestrada pelo povo brasileiro
Sai pelada na revista
Excita
Dança
Bate uma
Cai de boca
Mama ele e os amigos
E depois vai ser encontrada num bueiro
Num beco
Estuprada
Porque tava de batom vermelho
Tava pedindo
Foi merecido
E se foi crime "passional"
Pobre do rapaz
Apaixonado estragou a própria vida.
Por isso que eu sou puta
Porque sou forte
Sou guerreira
Não sou reprimida
Nem calada
Sou feminista
Sou revoltada
Indignada
E sou rotulada assim
Como PUTA!
Então que eu seja puta
E não menos do que isso.
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Autora do Poema: HELENA FERREIRA
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sexta-feira, 25 de setembro de 2015
POEMA 239 - AVE CATIVA... LIBERTA!
Sou, tal qual ave cativa
dos teus quereres. Evolada!
Na magia dos teus mares e teus rios
sigo presa a teus anelos.
Tão consensual...
Desejos insanos, apocalípticos...
Não resisto. Apenas sigo
e obedeço aos teus comandos.
Cega, embriagada,
presa dócil
à rosa bandida
dos teus espinhos
que tanto afagam a minh'alma!
Teu nome, correntes... escrito a sangue
na túnica que me cobre,
chamada pele.
Dos volúpicos quereres
que te afloram a cada poro,
Escrava e Senhora, sou.
24/7, meu Senhor!
Autoria Poema: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
quinta-feira, 23 de julho de 2015
sexta-feira, 17 de julho de 2015
POEMA 238 - VÍCIOS E TARAS
Um ser egoísta sob os lençóis...
Assim eu sou!
Assim eu sou!
Perdida em vícios e taras e fluídos e salivas
amargas e mel.
De pernas e mãos e braços e bocas e línguas
e dentes.
Sou toda eu,
Universo de mim mesma
Plenitude... regalos!
O mundo me pertence quando estou em teu corpo
Feito nau em arrebentação.
Louca desvairada
percorro teus portos
e sugo de ti toda a seiva
que me ofertas sem pudores.
Não há limites, nem regras, nem leis, nem religião
nem deuses, nem demônios
quando percorro os teus caminhos
de pura perdição.
Ensandecida, busco em ti
o sentido da vida
na ponta da minha língua,
em cada poro teu.
Em teu corpo, o meu potentado
de unhas e dentes
e tatuagens.
Frêmitos de fomes sem descansos.
Insaciável desejo que não se arrefece
Apenas se esquece em um átimo...
E retoma... incontinente!
Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
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