sexta-feira, 25 de setembro de 2015

POEMA 239 - AVE CATIVA... LIBERTA!


Sou, tal qual ave cativa
dos teus quereres. Evolada!
Na magia dos teus mares e teus rios
sigo presa a teus anelos.
Tão consensual...
Desejos insanos, apocalípticos...
Não resisto. Apenas sigo
e obedeço aos teus comandos.
Cega, embriagada,
presa dócil
à rosa bandida
dos teus espinhos
que tanto afagam a minh'alma!
Teu nome, correntes... escrito a sangue
na túnica que me cobre,
chamada pele.
Dos volúpicos quereres
que te afloram a cada poro,
Escrava e Senhora, sou.
24/7, meu Senhor!


Autoria Poema: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

sexta-feira, 17 de julho de 2015

POEMA 238 - VÍCIOS E TARAS

Um ser egoísta sob os lençóis...
Assim eu sou!
Perdida em vícios e taras e fluídos e salivas
amargas e mel.
De pernas e mãos e braços e bocas e línguas e dentes.
Sou toda eu,
Universo de mim mesma
Plenitude... regalos!
O mundo me pertence quando estou em teu corpo
Feito nau em arrebentação.
Louca desvairada
percorro teus portos
e sugo de ti toda a seiva
que me ofertas sem pudores.
Não há limites, nem regras, nem leis, nem religião
nem deuses, nem demônios
quando percorro os teus caminhos
de pura perdição.
Ensandecida, busco em ti
o sentido da vida
na ponta da minha língua,
em cada poro teu.
Em teu corpo, o meu potentado
de unhas e dentes
e tatuagens.
Frêmitos de fomes sem descansos.
Insaciável desejo que não se arrefece
Apenas se esquece em um átimo...
E retoma... incontinente!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

segunda-feira, 13 de julho de 2015

237 - COMPLEXIDADES

Pego-me assim
em cumplicidade comigo mesma
Parindo metáforas 
verbos, predicados e versos
as vezes complexos
as vezes sem nexo
devorando nuvens
e abortando sóis...
Das entranhas prenhes (o mundo),
universos e oceanos. Reminiscências...
Insana, devoro-me - posto que,
 indecifrável sou!
Confluência de astros e terra.
Em mim, todas as complexidades...
Devoro-me!
Regurgito-me... tão sólita! Dual.
Idas e vindas, nem começos, nem fins.
Recomeços...
E o ciclo continua
na remissividade
do que fui . E sou!


Autoria: LavíniaAndrill
Imagem: Internet

sexta-feira, 29 de maio de 2015

POEMA 236 - CALA-TE, ALMA. CALA-TE!

O vento leste sopra em meus ouvidos
as tuas ausências... tantas!
Vento gélido, gélida noite
Devoram-me
os sonhos
os anseios
os desejos...
Faz-se silêncio na alma!
Solitude incalma.
Não há poesias
Não há aconchegos
Não há canção,
Tampouco, carinhos.
Vê-se no ar notas melancólicas
de silêncios e solidões...
Calam-se as palavras.
Só a alma
debate no velho corpo.
Alma solitária, cala-te.
Aceita teu destino
monolítico
E cala-te!



AUTORIA: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

domingo, 3 de maio de 2015

235 - O VERBO ME INSTIGA!

Sou dama mundana,
das palavras sou amante!
Deito-me com o verbo
Prenho-me de abstratos.
Do útero fecundo,
aborto versos. Em sândalos.
Meu tributo ao mundo. Presunção
de uma mulher
que se quer poetisa
e brinca de fazer poemas
e se diz absoluta.
E se pensa única!
Que fazer se tenho alma cronópia
e o canto das palavras
enfeitiça-me e me põe a brincar
com os seus sentidos
inelutavelmente?
Desiderato!
Desvelos de uma alma
que no peito não se acalma.
O verbo me instiga...
Palavras são asas!



Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 234 - O TEMPO É UMA QUIMERA

Os portais do tempo
 sibilam em meus ouvidos
 seus sons enferrujados.
Eras e quimeras debatem-se
 nas entranhas da velha alma.
Os acordes vorazes são sempre os mesmos,
apenas se repetem a cada ciclo que se cria.
Não há o renovo. Mera fantasia...
A velha alma sabe disto.
Queda-se, complacente.
Espreita e espera... Sente
que tudo se repete.
Intermináveis ciclos.
Indubitavelmente,
em eras e quimeras.




Lavínia Andrill
Imagem: Internet


domingo, 26 de abril de 2015

POEMA 233 - AMO-TE. COMO-TE.

Amo-te e como-te.
Como-te
com os olhos
e ouvidos
e lábios
e língua
e pele.
Como-te
em pensamento
em silêncio
em alvoroço
em tormento.
Como-te
tal cupim em madeira 
por dentro
por fora
por partes
por inteiro.
Amo-te.
Em sofreguidão desembestada 
Revirando céus e terra
Numa paixão desvairada
Amor de paz e guerra.
Amo-te
no agora
no antes
no depois
de tudo o que houve
e o que estar por vir
Amo-te,
enlouquecidamente
mais que tudo...
Por fim,
Amo-te!
E como-te,
como loba esfomeada
em uivos,
desvairada.
Como-te
como ninguém, 
jamais ousou,
comer-te!


Autora: LavíniaAndrill
Imagem: Internet






L'EXCESSIVE - Carla Bruni sub

POEMA 232 -SOU TÃO EXCESSIVA...

Da vida eu quero
o querer desmedido
a paixão desvairada
o desejo incontido
na louca madrugada.
Que não sejam céleres
as indomáveis horas
no assombro do gozo
no arrepio da carne
em êxtase e frenesi
na ânsia louca
da carnuda boca. 
Sou tão excessiva...
O muito para mim
é tão pouco...
Da vida eu quero
Dó ré mi
fá sol lá si!
E morrer de gozo!


Autora: LavíniaAndrill
Imagem: Internet


quinta-feira, 16 de abril de 2015

POEMA Nº 231 - TOQUE

Cerro as pálpebras... abrem-se universos...
Pressinto vida em êxtase
adentrando-me as narinas
violando-me os sentidos...
 nas pontas dos meus devassos dedos!
Sôfregos. Ousados. Destemidos.
Incansáveis!
Desbravando mundos, em segredos (tão meus)!
Inconfessos.
Insaciáveis.
Incontidos!
 Uma doce tortura
de alumbramentos e espantos
espasmos e gozos,
sussurros, numa madrugada fria,
de entregas e abandono e êxtase profundo! 
Pensamento alado descortina o mundo...
E se descobre imensa
E se percebe absoluta
E se provoca
E se atiça
E num breve átimo
transmuda-se em deusa!
Doce enlevo,
Amar, a mim mesma!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

quarta-feira, 15 de abril de 2015

POEMA Nº 230 - DESALENTO

Doces palavras recolhidas 
no silêncio dos teus olhos
quando em mim estavas...
Olhos de prismas, desvairados,
parindo palavras não ditas
na orquestra dos teus lábios - lindos e mudos.
Olhos que se transmudavam em cristais
derramados na madrugada
rasgando em frêmitos e desejos e saudades,
o meu corpo - perpassando a minha alma...
Que me trazes mais senão o vazio dos dias infindos
e o fel das noites envoltas em desalento
reverberando lembranças partidas
sobre as calçadas de pedras lúgubres
dos becos sombrios
no labirinto em que se perdeu o meu eu?
Desgarrada da tua, em desespero
a alma - clama por ti.
Perdeste-te de mim, no silêncio destes teus olhos
onde não mais refletem quasares
nas madrugadas das nossas eternas entregas.


Lavínia Andrill
Imagem: Internet

terça-feira, 14 de abril de 2015

POEMA Nº 229 - CÉU DE AÇUCENA

Leva-me, amor, suave e serena
a bailar em teus braços de nuvem
neste céu de açucena
para que o meu amar-te
seja canção aos teus sentidos
nas insones madrugadas
como a brisa de dezembro
despertando arrebóis
nos teus olhos de mar e sal.
Amor, leva-me. De leve.
Suave e serena.


Lavínia Andrill
Imagem: Internet

domingo, 12 de abril de 2015

POEMA Nº 228 - AMOR QUE NÃO SE ESQUECE...

Que fazer deste TEU amor cigano
Voo de pássaro sempre em idas
Errôneo?
Que fazer deste MEU amor insano
Rastro de caminhos sempre em esperas
Forâneo?
Teu amor - água rebelde a escorrer-me nos dedos
Feito silêncios.
Calam a alma súbitos espantos
Jardim sem álamos,
Sabor amargo de lua minguante...
De esperas e quebrantos.
Meu corpo sempre a espera
do teu. Desencantos.
Mandrágoras em minhas mãos,
Viciam-me em ti...
Não vens...
Colares de estrelas e ventos,
Teci... enfeito-me...
Não vens...
O abismo que a tua ausência lançou!
Alei meus pés... voei... caí,
 Precipício
De não viver sem ti.
(Ainda penso em ti.)
Que fazer desse amor
prisioneiro em mim?


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA Nº 227 - MINHA PERDIÇÃO

Amálgama de mel e sal
um leve amargor que remete ao vinho
assim são teus sabores
que me escorrem
pela língua e garganta
quando te provo e te solvo.
Mulher de encantos
devassas promessas
magias descobertas.
Deusa olímpica, forasteira,
de imarcescíveis delícias
Em ti me perco e me salvo
louca de quereres e encantamentos
paixão insana e febricitante.
Sou escrava do teu estro
sempre em ebulição
Mulher de bruxedos e sedução
Dona da minha alma
sempre a te buscar
por eras e eras e eras
Em frêmitos de entregas
e perdição.


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

FEMME FATALE





FATALE...assim é a mulher!

sábado, 21 de março de 2015

AMORES QUE ROMPEM EL ALMA

POEMA Nº 226 - "O QUE ME LIBERTA É PRISÃO"

De tudo que anseio
Nadas me pertencem
Insanos quereres
Devaneios de um'alma
Incalma,
Num corpo não se aquieta
Vive de varrer mundos
Coração constrito quer inda mais
Do que lhe é permitido
Debate a alma no presídio do corpo
Libertar-se não pode!
Debalde são meus os céus e as noites
Deleites dos meus lúgubres anseios
Que no peito não se calam
E explodem em desejos
Absurdos
Estritos
Inconfessos
Jamais satisfeitos...
A prisão me consome!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

POEMA Nº 225 - INCONGRUÊNCIAS

Dor!
Dilacera carne peito alma
Irradia célula por célula
Explode em cada poro
(louca!)
Não a controlo
Tão profunda, não machuca
Tanto encanto (me!)
Subjaz!
Num silente vestígio, inunda
Ossos células alma
Paradoxo apraz
Gozo explode
Lágrimas risos
Dor contumaz
Satisfaz!


Autoria: LavíniaAndrill
Imagem: Internet


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

EU NÃO SOU POESIA!







Acho interessante o modo que algumas pessoas “personalizam” o que escrevo. Por exemplo, um poema. Quando escrevo um poema, não necessariamente, é sobre algo que estou vivendo ou sentido naquele momento. Posso versejar sobre vários temas: amor, paixão, paixão proibida, amores separados, amores homoafetivos, prostituição, sadomasoquismo, polyamor, ménage a trois, um bêbado, um viciado em sexo, um viciado em drogas, guerras, crimes, uma estrada, uma porta, ou tantos e tantos outros temas que me venham a mente, e tomem uma forma poética. Óbvio que meus trabalhos tem algo de muito pessoal, o modo de eu ver cada coisa. E daí? São ideias que surgem e dou a forma poética. Isto não quer dizer que eu esteja vivenciando o que escrevi no poema! Pelo amor de Deus! Então, a moça que escreveu a trilogia mais lida no mundo, Cinquenta Tons de Cinza, vivenciou tudo aquilo? Ela é apenas uma “pacata” dona de casa e mãe, e escritora! Eu fico pasma quando alguém lê um dos meus escritos e me coloca como a protagonista! Confesso-lhes que, se vivenciasse cada poema meu, eu teria uma vida extremamente rica de emoções e experiências fantásticas. Infelizmente, não é o caso! Infelizmente!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

sábado, 11 de outubro de 2014

Los Ángeles de Charly - Otra noche sin ti





Amo demais esta canção! Romântica, linda e dolorida... para aqueles que tem um amor distante!



Belíssimas imagens!

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

POEMA No 224 - DOLCE PASSIONE





Dolce passione di avere tra le mie braccia abbracciando questo mi enloquece che il vostro corpo desidera e mi fa vibrare come lupo pazzo a voler sempre di più ... di più... dolce lupo insaziabile ... dolce passione ... esasperante! Passione... per te!

Autoria: Lavínia Andrill
Vídeo: You Tube

domingo, 31 de agosto de 2014

POEMA No 223 - TEMPO EFÊMERO...




Ah, tempo efêmero
Que me roubou as horas...
Os dias...
Os anos...
Quisera
Vencer-te
E tomar-te
O que de mim levastes...
E, nem que fosse por um dia,
Poder fazer tudo aquilo que não ousei...
Por que não tinha a sabedoria
Que só me deste,
Roubando
Os meus dias!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

sábado, 31 de maio de 2014

POEMA No 222 - TANGO!!!

Receba-me em teu regaço
Prepare teus fortes braços
Ouça, já toca a melodia!
Gardel nos chama, em euforia!
Enlaça-me, toma-me junto ao peito...
Conduza-me do teu jeito!
Sinta o arfar deste coração apaixonado
Desliza tua mão por entre meus cabelos
E arrepia-me a nuca...
A melodia nos chama. Enfeitiça-nos...
Leve-me por todo o salão
A rodopiar louca (tesão!)!
Não desgrudes de mim...
Beija-me a boca, enfim... libertino!
Faz-se menino e caia
No meu regaço
Não saia do meu compasso
O tango é o nosso hino,
Doce menino!
Mas, antes
Conduza-me...
O tango esquenta nosso sangue
E nos faz amantes!
O elixir:
O tango! O tango! O tango!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

sábado, 19 de abril de 2014

POEMA Nº 221 - PAIXÃO PROFANA, IMARCESCÍVEL PAIXÃO

Quem há de apagar-me a ânsia insana
Deste fogo profano
A queimar-me as entranhas?
De gris vestiram-se os meus albores
E tudo se fez breu. Em mim.
Em mim, o sol adormeceu!
Ah, este amor incasto, improvável e vasto
De infinitas ânsias e tormentosas águas
Que não deságuam nem aliviam, os desejos!
Louco amor imarcescível
A tocar orquestras no silêncio profundo
Desta minha dor infinita, insana.
Profana.
Explode em cada veia e aflora pelos poros
Escorre-me dos olhos, me insaniza os sentidos!
Paixão torturante que me rouba a calma e corrompe-me a razão
Impossível calá-la no peito desfeito em solidão!
Quem há de apagar-me a ânsia insana desta paixão profana
A queimar-me as entranhas?



Autora: LavíniaAndrill
TELA: Liu Youanshow

POEMA Nº 220 - MISTÉRIOS DA NOITE...

Não há como desvendar
 mistérios que a noite esconde
Em suas negrescas entranhas...
Nem o andarilho, da lua fria, enamorado
Nem os pássaros noturnos
Nem os decaídos anjos notívagos,
Nem as sedutoras damas solitárias da incerta noite, 
Nem os incorrigíveis ébrios
Nem mesmo as inquietas estrelas
Penetram nos segredos da magistral noite.
Eu, aprendiz de poeta,
Tornei-me ébria a casar-me com a noite
Fúlgida, noiva incerta e fria!
Tornei-me pássaro noturno
E cantei-lhe doces melodias
Catei estrelas e réstias de lua
Para encantar a amante noite crua,
Dormi em seu regaço
E em seu remanso busquei albores
Mas a noite de horas imensas,
Infiel, arisca, fugidia,
Pariu-me das suas entranhas
De negrume e mistérios...
Abandonou-me
No colo do dia!





POEMA Nº 219 - NOITE SEM ALMA... NOITE FRIA.


Um vento trêmulo e frio acaricia
o denso manto da noite
expondo-me a seus mistérios e seus temores.
O brotar do verbo das entranhas
estranhas da noite em agonia
estremece a terra úmida e fria
desta noite sem alma
incalma e nua.
Um manso grito, um triste lamento,
deflora os lábios do pensamento
e vence a inércia lingual
e explode em grunhidos
violando os ouvidos do silêncio noturno
e se perde no breu da noite inerte e fria.
 O verbo estremece,
a carne esvaece!
É o lamento da minha alma insana
na solidão em que se mergulhou, em
letárgica agonia!
Sinto na carne trêmula e faminta
o chamado do pecado...
Noite sem alma... noite fria.
O pecado me chama.
Noite sem alma... noite fria.
Alma vazia!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA Nº 218 - SOMBRA NEBULOSA, A TUA IMAGEM. EM MIM.

Tanto
Acalanto
Tua imagem em meu peito
Que o pranto,
Desfeito
Em saudade imensa,
Não mais brota na correnteza dos olhos meus (nos teus)
Secos de mar, secos de rio,
Como terra esturricada de um sertão
Por Deus abandonado.
Tua imagem, miragem,
A confundir-se em mim, de mim,
Nevoa-se.
Dia
             Por
                         Dia
 Esta tua imagem distante...
Apaga-se...
                                     Em mim...
Oh! Tão distante, tomou-se em brumas
Levadas pelo gélido vento
Como sombra nebulosa.
Em mim...
De mim...
- O tempo passa, amor -
O tempo tem fome (e a tudo come).
Sombra nebulosa
Tua imagem
Miragem...
Meus olhos secos não mais avistam.
Tua imagem...
Miragem...
Miragem.


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA Nº 217 - PÁSSAROS CEGOS

Sim, poeta Lorca! Somos qual pássaro cego
Pelo breu da noite licorosa
Que nos escorrega olhos a dentro.
No ventre da noite agonizam sonhos e gorjeios
Dos pássaros feridos sem amanhãs.
Sou um pássaro caído do ninho derrubado...
Senhor Deus dos desesperados
Não chegam a Vós os lamentos
Deste pássaro cego, de asas quebradas?
É um brotar de desesperanças
Arrancando a ínfima lucidez
Canto banto e tímido.
Geme o mundo, ardem as quimeras,
Choram os filhos de Gaia
Salvação, não há. Nem fim, esta tormenta.
Apenas flores despetaladas
No colo do mundo.
Pisadas.
Pássaros cegos, pássaros mudos...
Já não mais gorjeiam.
Apenas voam
Sem destinos
Sem manhãs.
Vida breu!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet