domingo, 17 de julho de 2016

POEMA 254 - SAUDADE É GAIOLA

Você... Passarinho cantante
em minha gaiola (teu ninho).
Fotografei o teu canto, passarinho,
e ele fincou pé
no negativo do meu (des)encanto.
Teu canto ainda canta em mim, passarinho
num gorjear de distâncias e lamento.
Saudade é gaiola, passarinho. Tormento.
E o teu canto ainda canta,
e vem e vai, com o vento
deambulando saudades e vontades
em irrefutável deslembrança;
que pena, passarinho!
Somos de plumagens diferentes
e nossos vôos, solitários...
mas,
o teu canto ficou preso
na gaiola inconsútil da saudade.
Ninho que nem se fez...
Passarinho!


Autora: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

sábado, 16 de julho de 2016

POEMA 253 - ARPEJOS EM TEU CORPO

Teus desejos são-me arpejos
no teclado do teu corpo
onde ressoam acordes
tal vibrato frenético
e explodem em quasares
aos meus olhos extasiados
e meus ouvidos perplexos
aos sons dos teus desvarios.
Em mim, todos os meus cios,
em insanas ânsias, transmudados,
 já não me cabem.
Em ti, a bem aventurança
fecundando os meus rios
verdejando os meus prados.
Em nós, a dança louca do coito abençoado.
Toma-me como água a matar a tua sede
Cede para mim a tua timidez
desfaça teus medos e mergulhe
em minhas águas serenas. Talvez.
Mas, não provoque os meus ventos
se não quiseres ser tragado
pelo furacão que é-me a alma...
 talvez... tu gostes. 


Autora: Lavínia Andrill
Tela do peruano Dante Guevara

POEMA 252 - OS MEUS SILÊNCIOS SÃO DESASSOSSEGOS


Os meus silêncios são desassossegos
a cavalgarem-me nas insones madrugadas
desbravando-me as ruelas e becos e labirintos
da minha inquieta alma alada.

Os meus silêncios são astros pálidos
a refletir meus secretos anseios
mas, quedam-se em meu céu, aprisionados.
Atam-lhe pesados arreios.

Os meus silêncios tem mil vozes
a esvaírem em esquálidos desmaios
a revelar-me medos atrozes.

Os meus silêncios é dama incalma
Calam-me os lábios, amordaçam-me a língua.
Mas, não alcançam a minh'alma!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 251 - TEMPO DE ESTIO

O léxico, de mim se esconde.
Estranha-me, não me decifra
neste labirinto em que se perderam-me
as ideias... abstratas, fluidas,
tal qual, água teimosa a escorrer-me
pelos dedos frouxos
nas desoras irresolutas
a esconder-se no desvão
deste meu desassossego!
Em torno de mim bailam as palavras
tal gitana louca a rodopiar em desvarios,
dispersas pelo vendaval
que assombra a minha mente: útero infecundo!
Nenhuma sílaba! O verbo não se mostra!
Tempo de estio! Recolho-me em meus vazios.


Autoria: Lavínia Andrill
Tela: Jeong Hae-Kwang


domingo, 19 de junho de 2016

POEMA 250 - AS ESTAÇÕES DA ALMA

Vive tudo o que quiseres viver com a intensidade que a vida exige. Deixe tudo registrado no livro do teu destino. Gravado em luminuras e pergaminhos, nos sinais da tua pele! Ame intensamente. Embriague-se de paixão, tal bacante desvairada. Apaixone-se desesperadamente. Entregue-se sem mesuras! Vive os prazeres da carne e os devaneios da alma como se o amanhã não houvesse! Curte intensamente o teu verão. Vive todas as tuas loucuras! Vibre com a tua primavera e que explodam em flores ou espinhos, as paixões avassaladoras! Assim, quando chegar o teu outono e não mais carregar em teu ânimo o vigor da tua juventude e, muitas vezes, teu corpo não mais atender ao chamado da tua mente, onde a juventude teima em não se aquietar... E, quando chegar o teu inverno e o implacável frio tremular tuas carnes, e vísceras, e anegrar tua mente, lá, num cantinho abscôndito da tua alma, estarão as lembranças do esplendor da vida em todas as vívidas estações: a tua juventude! Elas, as lembranças serão o teu alento, teu alimento, e te esquentarão do invernecer dos teus dias. E te acalentarão. E te embalaram. Serão canção de ninar teus ouvidos enfraquecidos! Que role em teus olhos embaçados, onde ao horizonte não mais alcança, uma análgica e indomável lágrima! Tristezas? Não! Lembranças! E, elas te acompanharão, num átimo infindável. Até que te sopre na velha alma, o teu último suspiro! Enfim, poderás dizer a ti mesmo: Sim, eu vivi o benfazejo destino, em toda a sua plenitude: o verão, a primavera, o outono e o inverno. Estou pronta para transformar-me em indelével brisa! 


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

quinta-feira, 16 de junho de 2016

POEMA Nº 249 - CANÇÃO PARA A MINHA DESESPERANÇA

Dizem que sou guerreira, destemida e forte
mas, onde diabos se perderam minhas armas?
O negror da gélida e temível madrugada 
debruça sobre as minhas pálpebras cansadas
que teimam em manter-se abertas, ao mundo alertas.
Os ecos da minha desesperança, perfuram meus tímpanos,
 ensurdecendo-me a alma que incalma,
 dança feito ninfa louca
em volta da fogueira onde ardem os meus sonhos.
Em que ruelas da vida perderam-se os meus sonhos?
Por que não me acho na estrada em que tracei o meu destino?
Esta dor atávica a apertar-me o peito como se nada mais
tivesse jeito
e na mente tonta apenas idéias desconexas marcam o ponto.
Meus sonhos, frágeis gravetos que a mão do destino, impiedosamente, quebra...
Um a um. A mim? Nada mais resta!
Nem os cacos, para catá-los. Apenas uma tênue chama
Prende-me a mim mesma. E já não há forças para mantê-la. Acesa.
A guerreira? Venceram-na! Nada mais resta. Incontinenti!


Autoria Poema: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

domingo, 15 de maio de 2016

VOLTASTE - GISELA JOÃO





UMA BOA CANÇÃO! UM BELO FADO!

POEMA 248 - CARNALIDADES


Se, dentre tantas outras irmãs do vício,
Que na sarjeta se atiram, almas profanas,
Prenhezes de carnalidades e precipícios,
Paixão da lascívia fome humana!
A mulher-dama é muito mais Dama!
Vícios lascivos, insaciáveis,
Consomem as carnes e corrompem os sentidos,
Desvairados, incontidos, numa dança louca,
Onde deuses e demônios proibidos
Tentam lhe possuir... boca a boca.
Morre a Dama, nasce a Puta...
A quem se entregar, senão àquele
Que maior prazer proporcionar:
fogo, luxúria e libido!
Deixando marcas sobre a pele
Prazer intenso, desmedido!
No corpo e na alma da mulher
Que se sente Deusa e nasce Santa
Que vive e morrerá como bem quer
Santa ou Puta!
Quando a matilha se levanta
Apenas para o deleite dos perdidos
Em todos os seus cinco mil sentidos!
Puta e Santa!





Autora: Lavínia Andrill, com mil pitadas dos ANJOS URBANOS
TELA: Iwona Wierkowska

POEMA 247 - LUXÚRIAS E LOUVORES

Palavras rasgadas em pecados
de gozos e taras e rezas pagãs,
afloram-me à boca
em êxtase e cumplicidade.
Gosto das palavras vis,
num conluio  sedutor
de uma língua louca
de uma atrevida boca
que reza e peca
e se mostra serpente,
e lambe, e provoca, quente,
e toma a si
toda lubricidade
de um tenro botão... rosado
- ás vezes se mostra... se esconde, às vezes -
entre dobras e peles.
E se enlouquece e se explode
em frêmitos e quasares.
Fonte secreta de promessas e delícias
- a mulher traz entre as pernas -
Fogo que apaga
toda paixão desvairada.
Botão em flor
Que enlouquece e fode
em luxúria e louvor!



Autora: LavíniaAndrill
Tela: Iwona Wierkowska

POEMA 246 - MORDAÇA

E esta mordaça que ata machuca e apaga
o grito que não se solta.
E provoca os sentidos
Ensandecidos. Incontidos.
Mas, a palavra não aborta
o verbo desejado, buscado.
Não encontrado.
A mordaça, ata.
Mas, a alma rebela e no peito um grito,
rouco, insano, debate.
Não se solta.
Explode
pelos poros e dedos e unhas e dentes.
Não encontra eco nem sentido nem verdade
porque a mordaça não desata.
À  garganta, retorna o grito.
Retorna e morre... lentamente.
E entrega-se ao vácuo
de um coração
que já não se mostra.


Autora: LavíniaAndrill
Tela: Viktor Sheleg

sábado, 2 de abril de 2016

POEMA 245 - DOMÍNIO

Sou serpente sinuosa
na superfície da tua pele. Deslizo.
Desenho caminhos em tuas areias
Mergulho em teus oceanos
Adentro tuas crateras
Queimo-me em teu fogo
que arde em lâminas sobre as minhas carnes
prenhes de desejos.
Venço teus espantos
Domino-te os pudores
Vagueio feito louco
pelos teus horizontes
Desbravo teus segredos
Derrubo teus medos
Subverto tuas vontades
Quebro tuas resistências
Domino-te.
És minha. Por inteira.
Subverto-te.
Apraz-me ver-te assim.
Subjugo-te.
Toda minha.
Domínio.



Autoria do Poema: Lavínia Andrill
Tela de Iwona Wierkowiska - R Ogowiska

domingo, 28 de fevereiro de 2016

POEMA 244 - PECADO ORIGINAL, FRUTO SATÂNICO

Quem há de não se envolver
neste jardim de promessas e delícias
onde satã seduz
com o fruto pecaminoso
abençoado pela luxúria
- delicia aos nossos sentidos
de damas mundanas -
Insaciáveis. Incorrigíveis.
Ah, as putas da historia,
Cleópatra, Esmeralda, Madame Pompadour,
 Teodora de Bizâncio,  Egipcíaca,  Victorine,
 musas e putas,
dentre tantas outras irmãs do vício,
 que na sarjeta se atiram
por puro deleite de suas almas profanas
prenhes de carnalidade!
Paixão pela lascívia proibida
que consomem as carnes
e corrompem os sentidos
desvairados, incontidos,
numa dança louca
onde deus e demônio
tentam lhes possuir.
A quem nos entregar
Senão aquele que maior prazer
 proporcionar!
Prazer intenso , desmedido
que deixe suas marcas
no corpo e na alma
De uma mulher
que se sente
deusa
e nasce
santa
e vive
e morrerá
Puta.
Apenas para o deleite
de todos os seus sentidos!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 243 - METAPLÁGIO AO POEMA "ANJO PROFANO" DE AUTORIA DE ANJOS URBANOS

O teu verso é profano, meu querido,
que faz tua alma em ânsias
vomitar as agruras em náuseas
que a vida te impõe, tal qual,
bebida etílica miscelâneas no sangue
que te corre nas veias.
Desvenda com tua lança, ó rústico guerreiro
o  Monte de Vênus
entre as pernas de uma mulher
E verás que entre o céu e o inferno
um deus chora de gozo e se entrega
aos lascivos braços de Satã!
Doçuras? Não as quero! Nem sutilezas.
Apraz-me o chicote
a marcar-me o orgulho, e os dentes
lacerando-me as trêmulas carnes.
No êxtase, renasço em raios
Mistura de sêmem, mel e xixi!
Ao solo, o Olimpo!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

242 - SUPLICO-LHE: NÃO ABRA A MINHA CAIXA DE PANDORA!



Por favor, suplico-te: não abras a minha Caixa de Pandora. Não gostarás do que ali está guardado! Os meus mais vis desejos, ali os escondi. Meus anseios incomensuráveis, minhas fomes sem mesuras, as minhas mais condenáveis fraquezas, minhas invejas doentias e famintas, meus sentimentos mais abjetos. O abominável, está ali. Não ouves seus guturais roncos? Não abra a minha Caixa de Pandora! Não desperte meus piores pesadelos, meus medos demoníacos, meus pactos com satã, estão lá, e à espreita do menor deslize. Estive no inferno e jantei à mesa com os seus convivas mais ilustres e bebi com eles o sangue dos inocentes na taça flamejante de Satã. Não desperte por clemência, meus vis sentimentos. Para a minha e a tua salvação, tranquei-os na Caixa de Pandora! A demência mora lá. Não a queira aqui fora. Os pactos libidinosos que fiz com as insanas criaturas da noite, na escuridão dos dias, minhas taras mais absurdas, todas as minhas parafilias, ali quedam. O que há de mais asqueroso e purulento, encontra-se escondido lá, apenas espreitando uma pequena fresta na abertura da Caixa, e libertar-se-á. O que há de mais inominável, está a espreita, para comer-te a carne, beber-te o sangue e sugar a tua alma. Não haverá salvação se abrires a minha Caixa de Pandora! Eu te suplico, não abras a minha Caixa de Pandora! Se não queres conhecer o inferno, não a abra, posto que, para meus demônios não há correntes que os detenham. Nem credos, nem rezas. Nem este teu Deus, te salvará! Não abras a minha Caixa de Pandora!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 241 - INSACIABILIDADES

Arrastam-me  à sarjeta
cegas paixões, gozos ninfômanos...
- Quão belas e sedutoras são as sarjetas -
Mais fortes que minhas crenças pagãs!
Posto que, de há muito de mim,
desfez-se Deus ...
Nem mesmo ele (se existisse!)
Far-me-ia desvencilhar-me
do bem maior:
O gozo desmedido!
Nas linhas da minha mão está escrito:
"a sarjeta é teu lugar,
mulher de vícios e pecados
que fazes do gozo desvairado
teu deus maior".
Puta, entre bêbados, poetas. loucos e boemia,
Vivo a minha maldita vida,
Em afrodisia,
Pelos becos e tropeços
Onde se consagra
O pecado da luxúria - a deusa do meu destino!
Na toca do Lobo
que grita esfomeado
num tormento de fome e sede
- de carne, de sangue -
Eu o sacio!
Prazeres e agonias
Em gozo absurdo
êxtase profano e profundo,
meu corpo, meu deleite, minha poesia!
Sou  da noite, dama-rainha - Puta!
Em absoluta primazia.
Minha religião: Afrodisia,
Meu deus: Pecado!
Minha vida: Sexo!
Meu mundo: Poesia!
Assim vivo. Assim sigo
Escolhi a sarjeta.
Por opção e vocação, sou Puta!
E nada, nem o teu Deus, 
Me arranca deste meu doce inferno!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

POEMA 240 - UM POEMA PARA HELENA

Sou puta
Quando uso a boca vermelha 
Meu salto agulha
E meu vestido preto.
Sou puta
Mordo no final do beijo
Não fico reprimindo desejo
E nem me escondo na aparência de menina.
Sou uma puta de primeira
Acordo às 6:30 
Pego ônibus debaixo de chuva 
Não dependo de salário de macho 
E compro a pílula no final do mês.
Sou uma puta com P maiúsculo 
Dispenso o compromisso 
Opto pela independência
Não morro de amor
Acordo sozinha 
Cresço sozinha 
Vivo na minha 
Bebo em um bar de esquina
Vomito no chão da cozinha.
Sou uma putinha
Passo a noite em seus braços 
Mas não me prendo no laço 
Que você quer me prender.
Sou puta
Você tem o meu corpo 
Porque eu quis te dar 
E quando essa noite acabar 
Eu não vou te pertencer
E se de mim você falar 
Eu não vou me importar 
Porque um homem que não me faz gozar 
Nunca terá meu endereço.
E não é gozo de buceta 
É gozo de alma
É gozo de vida
É me fazer sentir amada 
Valorizada 
E merecida
E se de puta você me chamar 
Eu vou agradecer.
Porque a puta aqui foi criada 
Por uma puta brasileira 
Que ralava pra sustentar os filhos 
E sofria de racismo na feira
Foi espancada e desmerecida 
E mesmo sofrida 
Sorria o dia inteiro 
Uma puta mulher ela foi
E puta também eu quero ser.
Porque ser mulher independente
Resolvida 
Segura
Divertida 
Colorida 
E verdadeira 
Assusta os homens
E os machos 
Faz acontecer um alvoroço.
Onde já se viu mulher com voz?
Tem que ser prendada e educada
E se por acaso for "amada" 
Tem direito de ser morta pelo parceiro 
Cachorra adestrada pelo povo brasileiro 
Sai pelada na revista 
Excita 
Dança 
Bate uma
Cai de boca 
Mama ele e os amigos 
E depois vai ser encontrada num bueiro
Num beco
Estuprada 
Porque tava de batom vermelho
Tava pedindo 
Foi merecido
E se foi crime "passional"
Pobre do rapaz
Apaixonado estragou a própria vida.
Por isso que eu sou puta
Porque sou forte
Sou guerreira
Não sou reprimida
Nem calada 
Sou feminista 
Sou revoltada
Indignada 
E sou rotulada assim
Como PUTA!
Então que eu seja puta
E não menos do que isso.
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Autora do Poema: HELENA FERREIRA

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Imagem: Internet

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

POEMA 239 - AVE CATIVA... LIBERTA!


Sou, tal qual ave cativa
dos teus quereres. Evolada!
Na magia dos teus mares e teus rios
sigo presa a teus anelos.
Tão consensual...
Desejos insanos, apocalípticos...
Não resisto. Apenas sigo
e obedeço aos teus comandos.
Cega, embriagada,
presa dócil
à rosa bandida
dos teus espinhos
que tanto afagam a minh'alma!
Teu nome, correntes... escrito a sangue
na túnica que me cobre,
chamada pele.
Dos volúpicos quereres
que te afloram a cada poro,
Escrava e Senhora, sou.
24/7, meu Senhor!


Autoria Poema: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

sexta-feira, 17 de julho de 2015

POEMA 238 - VÍCIOS E TARAS

Um ser egoísta sob os lençóis...
Assim eu sou!
Perdida em vícios e taras e fluídos e salivas
amargas e mel.
De pernas e mãos e braços e bocas e línguas e dentes.
Sou toda eu,
Universo de mim mesma
Plenitude... regalos!
O mundo me pertence quando estou em teu corpo
Feito nau em arrebentação.
Louca desvairada
percorro teus portos
e sugo de ti toda a seiva
que me ofertas sem pudores.
Não há limites, nem regras, nem leis, nem religião
nem deuses, nem demônios
quando percorro os teus caminhos
de pura perdição.
Ensandecida, busco em ti
o sentido da vida
na ponta da minha língua,
em cada poro teu.
Em teu corpo, o meu potentado
de unhas e dentes
e tatuagens.
Frêmitos de fomes sem descansos.
Insaciável desejo que não se arrefece
Apenas se esquece em um átimo...
E retoma... incontinente!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

segunda-feira, 13 de julho de 2015

237 - COMPLEXIDADES

Pego-me assim
em cumplicidade comigo mesma
Parindo metáforas 
verbos, predicados e versos
as vezes complexos
as vezes sem nexo
devorando nuvens
e abortando sóis...
Das entranhas prenhes (o mundo),
universos e oceanos. Reminiscências...
Insana, devoro-me - posto que,
 indecifrável sou!
Confluência de astros e terra.
Em mim, todas as complexidades...
Devoro-me!
Regurgito-me... tão sólita! Dual.
Idas e vindas, nem começos, nem fins.
Recomeços...
E o ciclo continua
na remissividade
do que fui . E sou!


Autoria: LavíniaAndrill
Imagem: Internet

sexta-feira, 29 de maio de 2015

POEMA 236 - CALA-TE, ALMA. CALA-TE!

O vento leste sopra em meus ouvidos
as tuas ausências... tantas!
Vento gélido, gélida noite
Devoram-me
os sonhos
os anseios
os desejos...
Faz-se silêncio na alma!
Solitude incalma.
Não há poesias
Não há aconchegos
Não há canção,
Tampouco, carinhos.
Vê-se no ar notas melancólicas
de silêncios e solidões...
Calam-se as palavras.
Só a alma
debate no velho corpo.
Alma solitária, cala-te.
Aceita teu destino
monolítico
E cala-te!



AUTORIA: Lavínia Andrill
Imagem: Internet

domingo, 3 de maio de 2015

235 - O VERBO ME INSTIGA!

Sou dama mundana,
das palavras sou amante!
Deito-me com o verbo
Prenho-me de abstratos.
Do útero fecundo,
aborto versos. Em sândalos.
Meu tributo ao mundo. Presunção
de uma mulher
que se quer poetisa
e brinca de fazer poemas
e se diz absoluta.
E se pensa única!
Que fazer se tenho alma cronópia
e o canto das palavras
enfeitiça-me e me põe a brincar
com os seus sentidos
inelutavelmente?
Desiderato!
Desvelos de uma alma
que no peito não se acalma.
O verbo me instiga...
Palavras são asas!



Lavínia Andrill
Imagem: Internet

POEMA 234 - O TEMPO É UMA QUIMERA

Os portais do tempo
 sibilam em meus ouvidos
 seus sons enferrujados.
Eras e quimeras debatem-se
 nas entranhas da velha alma.
Os acordes vorazes são sempre os mesmos,
apenas se repetem a cada ciclo que se cria.
Não há o renovo. Mera fantasia...
A velha alma sabe disto.
Queda-se, complacente.
Espreita e espera... Sente
que tudo se repete.
Intermináveis ciclos.
Indubitavelmente,
em eras e quimeras.




Lavínia Andrill
Imagem: Internet