domingo, 2 de fevereiro de 2014

POEMA Nº 199 - UM ADEUS SEM DESPEDIDAS I

Não houve adeus nem despedidas
tampouco chegadas e partidas.
Pássaro sem ninho sem rota
sempre em fuga e nem nota.
Não houve  um talvez, um até breve
Calaram-se as palavras, cansaram-se.
Nem fala nem escreve.
Sentimentos em desalinho
- tão dúbios os teus!
Passos em extravios, pedras no caminho.
Sequer uma lágrima, um adeus
Sequer um olhar (nos meus)
Sequer dúvidas; infindas, as minhas...
Vinho avinagrado este nosso amor
Cálice quebrado rasgando a pele da alma
Feito fumaça que se esvai
 (este nosso amor de mim não sai)
Num horizonte que não mais se alcança
meu olhar se encurtou
- nascem as deslembranças
(o que restou?)
Nem dança nem contradança
Efemeridades de um amor
Perdido num tempo findo
Que a distância arrebatou
Tão vãs tuas promessas - Espumas...
o mar abocanhou!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Anjo 21

POEMA Nº 198 O MUNDO NO MEU ABRAÇO...

Mundo grande, vasto,
Tão grande, mundo casto
Que não se pode abraçá-lo
Com os braços do corpo
(só com os braços do coração).
Mundo grande,
Mas não cabe o tempo,
Mais vasto que o mundo!
O tempo não se cabe no mundo
No mundo, o tempo não se acaba.
E o mundo, vai se acabar um dia?
Que ironia!
Mundo e tempo!
Este, senhor do ludo!
Aquele, tão ínfimo, perde-se na lide,
Diante deste se apequena em ledo!
Mundo, cavaleiro mutante 
Tempo, cavaleiro errante
Das vãs esperanças,
Dos sonhos indômitos!
Carregas em teu dorso miragens
Da intangibilidade
Da irrazoabilidade!
Fala, Zaratustra,
Em tua imortal sabedoria
Define o imarcescível tempo:
- Para onde vai o (im)perecível mundo
No tempo indiferente a tudo?



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Diversos/Ampulheta 4

POEMA Nº 197 - MINHA VIDA, LUA MINGUANTE

De repente,
Fez a lua em meu torto céu,
Minguante...
A espiar pra dentro de mim
No retrátil tempo do incognoscível


  Levando
                               réstias
                                      de
                         uma
                                                           débil
                                  esperança
                                                       que,


Teimosamente se escondia
Nas vielas da minha alma vadia.
Foi-se a pequena esperança
Que eu acalentava feito criança.
Restaram apenas abrolhos
Tantos assim! 


Em meus olhos,

Prantos          Quebrantos.


Inverneceu...   

Em 
                   mim.



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Anjo 22

POEMA Nº 196 - LIRA INCANSÁVEL SÃO OS MEUS ANOS

Terei sempre uns vinte e poucos anos!
Muito embora cada célula do meu corpo
Rebela-se.
Meu espelho, teimosamente,
Pareça jubilar-se
Em me contrariar,
Peremptoriamente.
A mim não me importam todas as evidências
Que me apontam as pinceladas
Que o insuportável Sr. Cronos
(este ser que não se subverte)
Teima em presentear ao delével corpo!
Nada importa a uma guerreira que se faz
(e se sente)
Eterna,
Já que em meu sangue correm vidas
E os meus olhos só o infinito alcança,
Posto que,
A lira dos meus vinte e poucos anos
Viva sempre,
Incansavelmente,
A tocar,
E eu,
A dançar,
Uma eterna ciranda!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulher dançando

POEMA Nº 195 - INQUIETUDE FRENTE AO IMPONDERÁVEL

Ronda-me a vigília
Rouba-me o sono
Insólitas horas
Inóspito abandono
Dor soturna a afoguear-me o espírito
Fantasma notívago
Lúgubre companhia
Noite nefasta e fria
Abraça-me em negro manto
Num silêncio taciturno
Inquietudes de uma dor
Que me avassala o peito
Sonhos insanos
(Resquicíos de um pacto fáustico, talvez?)
Ogros a torturar-me a alma
Desvencilhar-me já não posso
Medo,
Ira,
Frustração,
Desesperança
(Se tudo fora um ledo engano!).
Inquietudes frente ao imponderável
Esperança a esvair-me por entre os dedos.
- E esta droga de tempo que não passa!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Diversos K

POMA Nº 194 - HORAS FLUIDAS, INDOMÁVEIS ERAS!

 Em nada mais creio eu 
(Não há destino; nem nada mais). 
Sou apóstata confessa 
Rendo-me ao inverossímil
(Não há destino!).
So a impermeabilidade das horas
Sôfregas, indomáveis, fluidas,
(Desoras...)
Que se esvaem na eteridade dos dias
Vazios...
E abocanham sonhos
Quebrando encantos
De ossos e células.
Destino trânsfugo.
Quiser’eu prendê-las.
(As horas).
Mas não há destino.
(O acaso é o que impera!)


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: A METAMORFOSE DO SER 
(FLORIAN RAISS)



POEMA Nº 193 - EU NÃO POSSO ME APAIXONAR POR VOCÊ

Eu me apaixonei por você
Por que... não sei o porquê...
Eu queria alguém pra me ouvir
Eu queria alguém para me escutar.
Eu me apaixonei por você
Por que não podia mais viver sozinha
Eu queria falar dos meus sonhos
Eu queria ouvir poesias.
Eu me apaixonei por você
E agora me sinto perdida
Por que não sei mais pensar
Em nada que não seja você.
Eu me apaixonei por você!
Danou-se tudo, não sei o que vai ser,
Como resolver esta paixão inesperada
Se eu não posso
Me apaixonar por você!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulheres

CANÇÃO Nº 078 - SI TU ME AMAS





IL DIVO! ESTES MENINOS SÃO FERAS! AMO-OS!

POEMA 192 - ENFEITIÇADA. POR TI!

Mais uma poesia
Querendo brotar do meu peito
Mais um poema
De um amor apaixonado
Para derramar em teus ouvidos
Este meu querer
Este querer por teus encantos
Enfeitiçado...
Doce enlevo de pura sedução
Mais uma vez a poesia
Se faz ciranda
Bailando nas dobras do meu coração
Tão apaixonado por ti anda
A suspirar de pura paixão!
Ausente do mundo
Eu me tornei
Minha vida por inteiro
Eu te dei
Em doce prisão
Eu me ofertei
E nas oferendas do amor
Em teu altar
Eu me entreguei.
Enfeitiçada!
Por ti!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulheres

POEMA Nº 191 - E, DE REPENTE, ASSIM, DESCOBRI QUE EU ESTAVA ME APAIXONANDO

E, de repente,
Eu desandei a escrever versos
A cantar a beleza que emana das palavras.
E, assim, tão de repente assim,
Pus-me sonhadora
a flutuar por espaços sem fim
A brincar com as palavras...
E, de repente, assim,
Me vi aprendiz de poeta!
Poesia! Poesia! Poesia!
Afrodisia! Epifania!
Na mais completa, teimosia!
E, bem assim, de repente,
Como numa ciranda,
Me vi a bailar,
Rodopiando...
Brincando com as estrelas!
E, tudo foi assim,
Ficando claro para mim
E, num sonhar sem fim,
Fui me encontrando nas canções
Que, sofregadamente, passei a ouvir
E nos poemas dos poetas enamorados!
E, de repente assim, percebi
Assim, de repente, assim!
Que eu estava me apaixonando...




Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulheres 53

POEMA Nº 190 - DOR NA CARNE, CATARSE DA ALMA

Debalde, a dor do corpo
É uma catarse da alma
Tão necessária quanto o ar
Pulmões a dentro!
O renovo de anelos adormecidos
Cuidadosamente guardados
Nas dobras de um destino
Que sempre se fez menino
No cofre-coração
(jamais esquecidos!)
Antigos madrigais
Tessitura de uma ópera inacabada
Onde inflama a flama
Que o corpo consome
(o que é do homem o bicho não come)
Para desaguar no âmago de uma paixão
Em pentagramas do divino
Feito um deus menino
Em doce devoção!


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Blog Angel, um olhar feminino.
Arquivo: Mulheres

POEMA Nº 189 - O SER E O NADA

Quando o seu futuro você me deu de presente
Logo eu vi que eu não era tão inocente
Por que eu nasci só e só eu vou morrer!
Mas não custa sonhar não custa acreditar...
Eu vou fingir que aceito viver...
Mesmo com o olhar perdido, pedindo perdão,
Procurando seu sorriso, em vão...
A tua lembrança me traz esperança
E a minha força é o teu abraço
Que abraça o meu ser; assim eu vou vencer!
Quero seguir um caminho feliz
E a minha paz não vai se confundir
Com a tua Luz, com a tua paz!
Parece que eu preciso de alguém,
Parece que eu preciso gostar de alguém,
Parece que o mundo pertence a mim,
Parece que eu preciso viver...
Viver o quê, com quem e por quê?
- Não faz sentido ser!



Autoria: Ney Cid Seixas Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulheres

CANÇAO Nº 076 - DANSE MON ESMERALDA (CORCUNDA DE NOTRE-DAME)

POEMA 189 - CANÇÃO PARA UMA DOCE ESPERA (Vã?)

Esperar é doce,
Mas o desejo queima!
Em êxtases e encantamentos,
Amar-te-ei na véspera
Desta minha longa espera.
Amar-te-ei a cada hora
Que ainda me resta passar
Antes que os teus passos encontrem os meus
E meus olhos te possam alcançar
Nesta tua vinda, por demais de esperas!
Amar-te-ei sem demoras...
- Semtréguas/semfôlegos/semquimeras -
Antes que tudo em brisas se transforme
E de mim te vás embora!
Antes que chegue o rosicler da aurora
De uma manhã triste e fria
E deem-se adeus as horas!
Meu amor são tantas as esperas
Que de mim se fez escravo o olhar
Num caminho de poeira
De um horizonte de miragens
E tantas vãs esperas
E tantos gris presságios
E tantos sôfregos desejos
E tantas incontáveis quimeras!




Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Mulheres (um olhar feminino 4)

sábado, 1 de fevereiro de 2014

POEMA Nº 188 - A QUE NOS DESTINA EXISTIR?

Num mundo onde tudo
São andanças e extravios
Onde se perderam os passos
Que pensei serem meus? Vazios
Os dias. O tempo, uma quimera!
Ardem na fogueira dos dias,
Todos os meus desenganos...
Consomem-me os anelos. Quem dera
Fossem minhas todas as horas
Debalde, do tempo seria eu, Senhora.
Rainha de todos os mistérios
Do hoje, do amanhã, do outrora.
Pobre de mim,
Desejar-me soberana
Da vida e seus mistérios, do agora,
Num ansiar dramático e demiúrgico
De uma pobre alma atormentada
Que não sabe ao certo
O destino que a espera!
(Decerto, em desorbe se perdera!).



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasia 21

POEMA Nª 187 - ANGÚSTIA D’ALMA - UM TEOREMA INDECIFRÁVEL

Ânsias de infinito de um saber absurdo
Que já não cabem em mim
Dormitam em meu peito angústias
E um “não sei o quê”
Explodem pelos poros
Em devaneios d’alma.
Inquieta, insana,
O que queres alma insólita
Com quereres e fomes sem descansos?
Desertaram-se de mim a esperança e a calma
Espécies de quebrantos pensos no peito
Sufocam-me o fôlego, embaçam-me a alma
Numa soturnez dos sentidos.
Enigmas indecifráveis
Que tanto me sufocam.
E roubam-me a lucidez
Dos dias, das horas.
Trimurti, de que adianta buscá-los,
Se se deram as costas para mim?


Autoria: Lavínia Andrill
Imagem:Internet
Arquivo: Fantasias

POEMA 186 - ABISMOS EM MINHA ALMA

Há um vazio  dentro de mim que só você
pode preencher Minha alma abriu-se em a
bismos   Que eu não consigo mais transpor
Preciso das tuas mãos - Estendendo pontes

       Salvai-me
                     Do precipício
                                       Que se abriu
                                                       A meus pés...

Andarilha de calçadas solitárias notívo
ga  peregrina em vigílias abstratas Qual
 alma  insólita, evolada, em  fráguas,  imo
lada!  Salvai-me  dos  quebrantos  e ais
 e prantos  que o vazio das  tuas  sempre
 alucinantes e vis ausências me condenou!



Autoria: Lavínia Andrill
Imagem: Internet
Arquivo: Fantasias (Mulheres que correm com lobos)